Decisão cautelar atinge chicletes com nomes e design considerados inadequados para crianças e adolescentes; órgão cita possível violação ao Código de Defesa do Consumidor.

Ana Beatriz Publicado em 18/04/2026, às 10h25
O Procon de Minas Gerais suspendeu a venda de chicletes da marca Fini devido a problemas na rotulagem e comunicação visual, considerados inadequados para crianças e adolescentes. A decisão afeta produtos como 'Camel Balls', 'El Toro Balls' e 'Unicorn Balls', que podem remeter a órgãos genitais de animais.
A medida se baseia na legislação brasileira que protege o público infantojuvenil, proibindo práticas publicitárias que explorem a vulnerabilidade desse grupo. O Procon argumenta que a apresentação dos produtos pode induzir associações de cunho sexual precoce, impactando o desenvolvimento psicológico das crianças.
A suspensão é cautelar e permite que a empresa apresente defesa durante o processo administrativo. Enquanto isso, a proibição se aplica a todos os pontos de venda, incluindo plataformas digitais, e o debate sobre marketing em produtos alimentícios voltados para o público infantil é reavivado.
O Procon do Ministério Público de Minas Gerais (Procon-MPMG) determinou a suspensão imediata da comercialização de uma linha de chicletes da marca Fini em todo o estado. A medida cautelar foi adotada após o órgão identificar problemas na rotulagem, na comunicação visual e no posicionamento dos produtos, considerados inadequados para o público infantojuvenil.
A decisão atinge especificamente os itens “Camel Balls”, “El Toro Balls” e “Unicorn Balls”. Segundo o Procon, os produtos utilizam nomes, formatos e elementos visuais que podem remeter a órgãos genitais de animais, o que configura, na avaliação do órgão, uma estratégia de apelo impróprio — sobretudo por se tratar de doces amplamente consumidos por crianças e adolescentes.
Além da retirada dos pontos físicos de venda, a determinação também se estende ao ambiente digital, incluindo marketplaces e plataformas de e-commerce, como a Amazon, bem como outros fornecedores que comercializem os produtos pela internet.
De acordo com o Procon-MPMG, a legislação brasileira estabelece proteção especial ao público infantojuvenil, proibindo práticas publicitárias que se aproveitem da falta de julgamento e experiência desse grupo. O órgão argumenta que a forma como os produtos foram apresentados pode induzir associações de cunho sexual precoce, o que, em tese, pode gerar impactos no desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes.
A análise se apoia nos princípios do Código de Defesa do Consumidor, que veda publicidade abusiva — especialmente aquela que explore vulnerabilidades ou utilize conteúdos inadequados para menores de idade. Para o Procon, ainda que não haja intenção explícita declarada pela fabricante, o conjunto de elementos de comunicação dos produtos levanta preocupação suficiente para justificar a medida preventiva.
A decisão é cautelar, ou seja, foi tomada antes de uma conclusão definitiva sobre o caso. A empresa responsável pelos produtos poderá apresentar defesa e esclarecimentos ao longo do processo administrativo. Até lá, a suspensão permanece válida em todo o território mineiro.
O caso reacende o debate sobre os limites do marketing no setor de alimentos e a responsabilidade das marcas na comunicação com públicos sensíveis. Especialistas em direito do consumidor costumam apontar que, em categorias com forte presença infantil, como doces e guloseimas, a margem de tolerância para mensagens ambíguas ou potencialmente inadequadas é significativamente menor.
Até o momento, não há informação pública detalhada sobre eventuais sanções adicionais ou multas, nem confirmação de recolhimento nacional dos produtos — a medida, por ora, se restringe ao estado de Minas Gerais.
Leia também

O fim da Ordem Mundial: 2026 e o retorno do "cada um por si"

Jovem de 23 anos é encontrado morto em casa na zona norte de São Paulo; ex-companheiro é procurado

Copa do Mundo 2022: quem são os 26 convocados para buscar o hexa?

Ex-zagueiro da Seleção Ricardo Rocha é detido em aeroporto por pensão alimentícia

Summit SSOil 2026 reúne grandes lideranças do setor energético em Birigui

Summit SSOil 2026 reúne grandes lideranças do setor energético em Birigui

Polícia investiga denúncia de abuso sexual contra criança de 4 anos em clube na zona oeste de São Paulo

Pentágono restringe acesso após alerta sobre possível risco envolvendo qualidade do ar

Caminhão tomba após perder o controle na Rodovia Miguel Jubran, em Florínea

Investigação aponta repasses de R$ 102 milhões do Banco Master a empresa alvo de apuração por lavagem de dinheiro