Mustafa Goktepe, naturalizado brasileiro, é alvo de extradição por supostas ligações políticas com o governo turco

por Marina Milani
Publicado em 02/05/2025, às 11h22
Mustafa Goktepe, um empresário turco naturalizado brasileiro, foi preso pela Polícia Federal na última quarta-feira (30), em cumprimento a um pedido do governo turco liderado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan. Com 47 anos e residindo no Brasil há duas décadas, Goktepe se naturalizou brasileiro em 2012. Ele é casado com uma brasileira e pai de duas filhas nascidas em território nacional.
Goktepe é conhecido por sua atuação no setor de gastronomia, sendo proprietário de uma rede de restaurantes especializados na culinária turca. Seus estabelecimentos estão localizados em pontos estratégicos da cidade de São Paulo, incluindo a Bela Vista, o Brooklin e a Mooca. Além de seu papel como empresário, ele também tem contribuído academicamente, lecionando sobre língua e cultura turca na Universidade de São Paulo (USP) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.
Além disso, Goktepe é um dos fundadores do Centro Cultural Brasil Turquia (CCBT) e preside o Instituto Pelo Diálogo Intercultural. Sua dedicação à promoção da cultura e do diálogo entre os povos é notável, tendo coordenado duas escolas na capital paulista durante sua trajetória.
A defesa de Mustafa Goktepe criticou a prisão, descrevendo-a como uma "violência" motivada por ideologias políticas. O advogado Beto Vasconcelos, ex-secretário Nacional de Justiça, afirmou que essa ação representa mais um episódio da crescente repressão autoritária do governo turco. Ele destacou que o processo de extradição está sendo utilizado como uma ferramenta para perseguição política fora das fronteiras turcas, visando submeter indivíduos a tribunais que violam direitos fundamentais.
O advogado também ressaltou que Goktepe é amplamente reconhecido por seu compromisso com a defesa da democracia e da tolerância religiosa e política. Este caso marca o terceiro pedido de extradição apresentado pela Turquia contra membros do movimento Hizmet no Brasil, sendo que os dois pedidos anteriores foram negados pela Justiça brasileira.
"Estamos confiantes de que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconsiderará a prisão assim que tivermos a oportunidade de apresentar todas as evidências relevantes, levando à negativa da extradição", finalizou Vasconcelos.
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