Gabriel Renan da Silva Soares foi morto com mais de dez disparos após furtar pacotes de sabão em um mercado Oxxo na Zona Sul

William Oliveira Publicado em 09/10/2025, às 08h37
O policial militar Vinicius de Lima Britto, acusado de matar Gabriel Renan da Silva Soares, de 26 anos, um jovem negro, em frente a um mercado da rede Oxxo, na Zona Sul de São Paulo, em novembro do ano passado, enfrentará júri popular nesta quinta-feira (9).
Previsto para começar às 9h30, o julgamento será realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista. Durante a audiência, ao menos cinco testemunhas — incluindo dois policiais, os pais da vítima e um funcionário do mercado que presenciou o crime — devem ser ouvidas.
Gabriel foi morto com mais de dez disparos nas costas enquanto deixava o mercado após furtar quatro pacotes de sabão. O crime foi registrado por câmeras de segurança do estabelecimento.
O crime
No dia 3 de novembro, Gabriel entrou em uma unidade do mercado Oxxo, localizada na Avenida Cupecê, no bairro Jardim Prudência. Após furtar os pacotes de sabão, ele escorregou em um pedaço de papelão na saída e caiu no chão do estacionamento.

Nesse momento, o policial Vinicius, que estava no caixa realizando o pagamento de suas compras, percebeu o furto. Em seguida, sacou sua arma e efetuou diversos disparos contra Gabriel, que tentava fugir.
A vítima não resistiu aos ferimentos e foi encontrada com 11 perfurações pelo corpo, conforme o boletim de ocorrência.
A mãe de Gabriel, Sílvia Aparecida da Silva, relatou que o filho lutava contra a dependência química havia alguns anos e estava prestes a completar 27 anos quando foi morto.
Em depoimento à polícia, Vinicius afirmou que Gabriel estaria armado e teria colocado a mão no bolso do moletom, o que, segundo ele, justificaria a ação em legítima defesa. No entanto, as imagens de segurança desmentem essa versão.
Desde 5 de dezembro do ano passado, o policial está preso preventivamente no Presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
Histórico psicológico
Durante o concurso para a Polícia Militar em 2021, Vinicius foi reprovado em um teste psicológico. O laudo apontou “inadequação” nos critérios exigidos para o cargo, principalmente nas áreas de relacionamento interpessoal, liderança e controle emocional.
A avaliação psicológica é uma etapa eliminatória do processo seletivo, conduzida por uma banca especializada. Após ser reprovado, o policial entrou com uma liminar contra a Fazenda Pública de São Paulo e passou a realizar tratamento psicológico particular.
Cerca de três meses após o fim do processo judicial sobre a reprovação, Vinicius foi aprovado em um novo concurso e passou a integrar a Polícia Militar em novembro de 2022.
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