Investigação apura possível homicídio com dolo eventual e aponta tentativa de ocultação de provas após a tragédia

Letícia Sales Publicado em 20/06/2026, às 18h21
A Polícia Civil prendeu neste sábado (20) mais três pessoas suspeitas de envolvimento na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser lançada sem a corda de segurança durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os novos mandados de prisão temporária foram cumpridos contra uma mulher de 29 anos, localizada no Rio de Janeiro, e dois homens, de 25 e 27 anos, encontrados nas cidades de Limeira e Indaiatuba. Com as novas detenções, sobe para seis o número de investigados presos no caso.
Além das prisões, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. Durante a operação, celulares, equipamentos eletrônicos e outros materiais foram recolhidos para auxiliar na apuração dos fatos.
Segundo a investigação, os três detidos integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade esportiva. A Polícia Civil também identificou indícios de que conteúdos digitais que poderiam contribuir para o esclarecimento do caso teriam sido apagados após o acidente.
Em nota, a SSP informou que a investigação segue em andamento.
"A Polícia Civil prossegue com as diligências para esclarecer integralmente a dinâmica dos fatos, identificar todas as responsabilidades criminais e localizar a câmera utilizada pela vítima no momento do salto, considerada elemento importante para a reconstrução do ocorrido", informou a pasta.
Os investigadores trabalham com a hipótese de crimes dolosos contra a vida, na modalidade de dolo eventual, quando se assume o risco de provocar o resultado, além da possibilidade de fraude processual.
Maria Eduarda morreu após ser lançada de uma altura aproximada de 40 metros sem estar conectada ao equipamento de segurança. Conforme as apurações, a jovem havia contratado a atividade junto à empresa responsável pelo salto.
Os três primeiros presos não conseguiram explicar à polícia como ocorreu a falha que resultou na morte da vítima. Em decisão posterior, a Justiça converteu as prisões temporárias em preventivas e classificou o episódio como resultado de grave negligência.
A investigação também apura o desaparecimento da câmera utilizada por Maria Eduarda para registrar a experiência. Para a Justiça, a ausência do equipamento pode indicar uma tentativa de ocultação de provas.
Outro ponto destacado nos autos é que os funcionários teriam deixado o local após o acidente e seguido em direção a uma área de vegetação próxima, comportamento considerado relevante para a análise do caso.
A tragédia reacendeu o debate sobre a segurança das atividades radicais na região. A Secretaria de Patrimônio da União informou que a empresa não possuía autorização para operar na Ponte do Esqueleto. Após o acidente, autoridades locais e federais passaram a discutir medidas para restringir o acesso ao local e até mesmo a possível demolição da estrutura.
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