Tribunal nega pedido de liberdade e considera que ainda há diligências e provas pendentes sobre o caso ocorrido na Ponte do Esqueleto

Letícia Sales Publicado em 19/06/2026, às 09h06
A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão preventiva de dois instrutores investigados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump realizado na Ponte do Esqueleto, entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior paulista.
A decisão foi assinada pelo desembargador Sérgio Mazina Martins, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Maicon Fernandes Cintra e Luís Felipe Feliciano Egoroff. Os dois seguem presos enquanto a apuração do caso avança.
Ao analisar o recurso, o magistrado entendeu que ainda não existem elementos suficientes para revogar a prisão antes da conclusão da análise completa do processo. Segundo a decisão, a medida cautelar foi decretada com base em circunstâncias apontadas durante as investigações.
Entre os fatores considerados estão a suspeita de tentativa de fuga logo após o acidente, a troca de roupas pelos investigados e o desaparecimento de equipamentos que poderiam auxiliar na reconstituição dos fatos, como câmeras que supostamente registraram a atividade.
O desembargador também destacou que a investigação ainda se encontra em fase inicial e que laudos periciais e outras provas consideradas essenciais para o esclarecimento do caso seguem em produção. Por esse motivo, a Justiça entendeu que não é possível, neste momento, antecipar conclusões sobre a conduta dos envolvidos.
A morte de Maria Eduarda ocorreu durante uma prática de rope jump na manhã do último domingo. Imagens registradas no local mostram o momento em que a jovem é impulsionada da estrutura por integrantes da equipe responsável pela atividade. Pouco depois, participantes percebem que ela não estava conectada ao sistema de segurança.
A queda ocorreu de uma altura aproximada de 40 metros. A vítima morreu no local em decorrência de múltiplos traumas causados pelo impacto. Um amigo que acompanhava a atividade presenciou o acidente, entrou em estado de choque e precisou receber atendimento médico.
Os instrutores que aparecem nas gravações foram presos sob suspeita de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta de matar.
Após a tragédia, autoridades passaram a discutir medidas para impedir novos acessos à Ponte do Esqueleto. Em reunião entre órgãos federais e representantes das prefeituras de Limeira e Cordeirópolis, foi debatida inclusive a possibilidade de demolição da estrutura.
As administrações municipais informaram que irão reforçar os bloqueios existentes e adotar novas medidas para restringir a entrada de pessoas no local, enquanto soluções definitivas são avaliadas.
Moradora de Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo, Maria Eduarda trabalhava em uma academia e costumava compartilhar conteúdos relacionados à prática esportiva e à rotina de treinos nas redes sociais. Pouco antes do salto, ela publicou uma imagem da ponte acompanhada da frase: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.
A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias do acidente e aguarda a conclusão dos laudos técnicos para esclarecer a dinâmica completa do caso.
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