Investigação aponta que criminosos atraíam motoristas por plataforma digital e depois realizavam sequestro com extorsão

Erika Osti Publicado em 05/03/2026, às 16h39
A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta quinta-feira (5), cinco homens suspeitos de integrar uma quadrilha que aplicava o chamado golpe do falso frete contra caminhoneiros. Segundo a investigação, os criminosos usavam plataformas digitais para atrair motoristas com propostas de transporte de carga e, depois de marcar encontros, sequestravam as vítimas para exigir transferências bancárias e pagamentos de resgate. As prisões ocorreram em uma operação realizada nas cidades de São Paulo, Osasco, Guarulhos e Suzano, na região metropolitana.
A apuração foi conduzida pela 1ª Delegacia Antissequestro, vinculada ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas. De acordo com os investigadores, o grupo atuava de forma organizada, com divisão clara de tarefas entre os integrantes. Parte dos suspeitos criava perfis falsos em plataformas de frete para atrair caminhoneiros. Outros eram responsáveis por abordar as vítimas, enquanto um terceiro núcleo cuidava da vigilância dos sequestrados e da movimentação do dinheiro obtido com as extorsões.
Após aceitarem o suposto serviço, os caminhoneiros eram levados a locais indicados pelos criminosos e acabavam rendidos. No cativeiro, eram obrigados a realizar transferências bancárias. Em alguns casos, os suspeitos também entravam em contato com familiares ou empresas para exigir pagamento de resgate.
O chamado golpe do falso frete tem se tornado cada vez mais frequente entre quadrilhas que miram caminhoneiros em todo o país. Nesse tipo de crime, os golpistas se passam por empresas ou intermediários de transporte em plataformas digitais usadas para negociar cargas. Eles anunciam fretes inexistentes ou utilizam dados de companhias reais para transmitir confiança e convencer os motoristas a aceitar o serviço. Após combinar o transporte, marcam um ponto de encontro para a suposta retirada da carga e, quando a vítima chega ao local, é surpreendida pelos criminosos. O esquema se aproveita da dinâmica da profissão, já que muitos caminhoneiros dependem dessas plataformas para conseguir trabalho, o que acaba facilitando a ação dos golpistas.
Dois episódios investigados ajudaram a Polícia Civil a identificar parte do grupo. Em um deles, ocorrido em 15 de agosto de 2025, um caminhoneiro foi atraído até Osasco e sequestrado. Em outro caso, registrado em 25 de junho do mesmo ano, a vítima foi levada até Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
A polícia afirma que a investigação segue em andamento para identificar possíveis outros envolvidos e verificar se a quadrilha participou de mais casos semelhantes. As autoridades também alertam caminhoneiros a redobrar a atenção ao aceitar ofertas de frete feitas por plataformas digitais, especialmente quando há pedidos de encontro em locais isolados ou sem confirmação de empresas contratantes.
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