Dados apontam que o volume perdido equivale à quantidade de água captada pelo sistema ao longo de aproximadamente um mês

Gabriela Nogueira Publicado em 11/07/2026, às 08h34
O Sistema Cantareira iniciou julho com um volume de água significativamente inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Dados mais recentes apontam que o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo acumula cerca de 63 bilhões de litros a menos do que há um ano, quantidade equivalente à água captada durante aproximadamente um mês.
Além da redução no armazenamento, o sistema enfrenta um cenário de baixa recuperação. A vazão registrada nos primeiros dias de julho permanece abaixo da média histórica para o mês, reflexo das condições típicas da estiagem e da dificuldade de recomposição dos reservatórios.
Embora junho tenha apresentado índice de chuvas acima da média histórica, especialistas explicam que o volume absoluto de precipitação não foi suficiente para provocar uma recuperação expressiva. O período seco reduziu a capacidade de infiltração e de reposição dos mananciais, mantendo o déficit hídrico observado ao longo dos últimos meses.
Relatórios técnicos indicam que o Cantareira continua em condição de seca hidrológica, com intensidade classificada entre fraca e moderada, considerando diferentes escalas de monitoramento. A expectativa para os próximos meses dependerá diretamente do comportamento das chuvas durante o inverno e o início da primavera.
As projeções atuais apontam que, caso as precipitações ocorram dentro do esperado, o sistema poderá encerrar setembro com cerca de 36% da capacidade e chegar ao fim do ano próximo de 45%. Apesar desse cenário representar uma melhora em relação ao encerramento de 2025, quando o reservatório estava em situação mais crítica, os técnicos ressaltam que as previsões ainda dependem das condições climáticas.
Enquanto o Cantareira opera sob maior pressão, outros reservatórios do Sistema Integrado Metropolitano apresentam desempenho superior ao registrado no ano passado. O conjunto dos mananciais que abastecem a Grande São Paulo reúne atualmente cerca de 1 trilhão de litros de água, volume acima do observado em julho de 2025.
Segundo especialistas, essa diferença tem contribuído para preservar o abastecimento da região, embora também aumente a necessidade de gerenciamento integrado entre os diversos sistemas produtores.
O Governo de São Paulo afirma que mantém ações voltadas ao fortalecimento da segurança hídrica, com monitoramento permanente, planejamento operacional e investimentos em infraestrutura. A administração estadual também informa que as projeções meteorológicas não indicam chuvas abaixo da média para o trimestre de julho a setembro.
A Sabesp, por sua vez, afirma que a captação de água permanece dentro dos limites autorizados e que acompanha continuamente os níveis dos reservatórios para ajustar a operação conforme as condições hidrológicas, sustentando que o abastecimento segue preservado mesmo diante dos diferentes cenários previstos.
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