Diário de São Paulo
Siga-nos
Crimes cibernéticos

Nove em cada 10 moradores de SP sofreram tentativas de golpes digitais

Estudo da Fundação Seade revela alta exposição a fraudes via Pix e lojas virtuais falsas em 2025

Pesquisa aponta que 88% dos moradores de São Paulo foram alvo de tentativas de golpes digitais em 2025. - Imagem: Reprodução/LifeApps.
Pesquisa aponta que 88% dos moradores de São Paulo foram alvo de tentativas de golpes digitais em 2025. - Imagem: Reprodução/LifeApps.

Erika Osti Publicado em 30/01/2026, às 14h13


Uma pesquisa inédita da Fundação Seade revela que 88% dos moradores do estado de São Paulo, o equivalente a cerca de 30 milhões de pessoas, sofreram tentativas de golpes digitais ao longo de 2025. As investidas ocorreram principalmente por meio de mensagens de texto, ligações telefônicas e e-mails fraudulentos.

O levantamento mostra que o problema vai além das abordagens suspeitas. Quatro em cada dez entrevistados afirmaram ter caído em golpes envolvendo lojas virtuais inexistentes ou transferências via Pix, resultando em perdas financeiras.

As fraudes bancárias também aparecem com destaque. Cerca de 24% dos paulistas relataram ter sido vítimas de clonagem ou uso indevido de cartões nos últimos 12 meses. Já aproximadamente um terço dos entrevistados disse ter perdido dinheiro em golpes digitais sem conseguir recuperar os valores.

Entre os meios mais explorados pelos criminosos, o Pix concentra parte significativa das ocorrências. Um em cada quatro moradores afirmou ter sofrido tentativa ou consumação de fraude por esse sistema de pagamento, o que representa cerca de nove milhões de pessoas. O uso indevido de maquininhas de cartão afetou 15% dos entrevistados, algo em torno de cinco milhões de paulistas.

Segundo o estudo, as tentativas de golpe fazem parte do cotidiano da população e assumem diferentes formatos, como perfis falsos em redes sociais, ofertas enganosas e solicitações indevidas de dados pessoais. O avanço do uso de serviços digitais para compras, pagamentos e comunicação ampliou o campo de atuação das quadrilhas.

O perfil das vítimas é variado. Pessoas entre 30 e 59 anos, com maior escolaridade e renda, aparecem mais expostas às tentativas, reflexo do uso intensivo de plataformas digitais. Já a sensação de insegurança é mais acentuada entre idosos, pessoas com menor escolaridade e famílias de baixa renda.

A percepção social reforça o alerta. 95% dos entrevistados acreditam que as fraudes digitais estão em crescimento, enquanto apenas 12% se dizem muito confiantes de que não serão enganados, evidenciando um cenário de desconfiança generalizada no ambiente digital.

Especialistas em segurança digital orientam que os usuários desconfiem de mensagens com senso de urgência, evitem clicar em links recebidos por e-mail ou aplicativos de conversa e nunca informem senhas ou códigos de verificação. Antes de realizar compras online, a recomendação é verificar a reputação do site e desconfiar de preços muito abaixo do mercado. Em caso de suspeita ou prejuízo, a orientação é registrar boletim de ocorrência e comunicar imediatamente o banco ou a instituição financeira para tentar bloquear transações e reduzir danos.


últimas notícias