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Igualdade

Nova pesquisa aponta mulheres como maioria na medicina em SP

Apesar do aumento de médicas, homens ainda dominam especialidades mais lucrativas

Apesar do aumento de médicas, homens ainda dominam especialidades mais lucrativas - Imagem: Reprodução / Pixabay
Apesar do aumento de médicas, homens ainda dominam especialidades mais lucrativas - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 10/12/2025, às 17h02


Em um marco significativo para a medicina no Brasil, as mulheres tornaram-se a maioria entre os médicos ativos do estado de São Paulo, conforme revela a pesquisa Demografia Médicado Estado de São Paulo 2026, divulgada na última quarta-feira (10). De acordo com o estudo, em 2025, elas representaram 52,2% dos profissionais médicos, quebrando uma tradição que por muito tempo foi dominada pelo sexo masculino.

O crescimento do número de médicas é notável. O levantamento aponta que o total de profissionais femininas mais que dobrou entre 2010 e 2025, saltando de 42.079 para 103.024, o que representa um aumento aproximado de 145%.

As projeções indicam que essa tendência deve continuar a se intensificar. Estima-se que, até 2035, as mulheres constituirão 66,6% dos médicos no estado, o que corresponderá a cerca de 226,4 mil profissionais.

A apresentação dos dados ocorreu na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), localizada na Bela Vista, região central de São Paulo.

A metodologia utilizada na pesquisa abrangeu duas abordagens distintas. A parte estatística, que analisa o número de médicos e a distribuição por gênero, idade e especialidades, foi baseada em dados administrativos oficiais fornecidos pelo Cremesp e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), sem a realização de entrevistas individuais.

Por outro lado, um inquérito focado em cirurgiões gerais adotou uma metodologia própria e coletou informações por meio de 1.544 entrevistas telefônicas em todo o país, sendo 798 somente em São Paulo. Embora este estudo não constitua a base principal dos dados, ele oferece uma visão detalhada sobre uma área tradicionalmente masculina.

Juventude e Especialidades

A pesquisa revela que o aumento da presença feminina está associado à juvenilização da profissão médica. Em 2025, a média de idade das médicas era de 41,8 anos, comparada a 47,3 anos dos homens. Essa mudança demográfica reflete um crescente ingresso de mulheres nas faculdades de medicina e uma alteração no perfil dos estudantes.

As mulheres dominam em 22 das 55 especialidades médicas, principalmente aquelas com um enfoque assistencial contínuo ou voltado para o cuidado ao paciente. As áreas com maior porcentagem feminina incluem:

  • Dermatologia (80,6%)
  • Alergia e Imunologia (77%)
  • Pediatria (76,3%)
  • Endocrinologia e Metabologia (70%)
  • Ginecologia e Obstetrícia (63,9%)
  • Geriatria (63,3%)
  • Reumatologia (62,4%)
  • Hematologia e Hemoterapia (61,6%)
  • Medicina de Família e Comunidade (60,7%)

Essas especialidades têm mostrado um crescimento significativo nos últimos anos, corroborando a tendência de feminização na medicina paulista. Essa análise é apoiada pelo presidente da APM e docente da Santa Casa de São Paulo, Antonio José Gonçalves.

Diferenciais Salariais e Desigualdade de Gênero

Apesar da maioria feminina entre os médicos ativos, os homens ainda prevalecem nas especialidades mais lucrativas e complexas como cirurgia geral, ortopedia, radiologia e anestesiologia. O estudo destaca que:

  • Os homens estão mais presentes nas especialidades técnicas ou cirúrgicas com alta complexidade;
  • Essas áreas costumam oferecer maiores rendimentos e prestígio;
  • As mulheres tendem a se concentrar em campos associados ao cuidado contínuo e à atenção básica que geralmente apresentam remunerações inferiores.

A pesquisa também evidencia como a desigualdade de gênero se reflete tanto na escolha das especialidades quanto na progressão salarial ao longo das carreiras médicas. Médicos homens frequentemente ocupam posições de liderança com vínculos múltiplos que garantem melhores remunerações.

Tendências Futuras

A previsão indica que as mulheres representarão dois terços da força médica até 2035. Especialistas alertam que essa desigualdade poderá se tornar ainda mais pronunciada se políticas eficazes não forem implementadas para assegurar oportunidades equitativas tanto na entrada quanto no avanço profissional dentro da carreira médica.

Os pesquisadores ressaltam que o desafio atual vai além do reconhecimento do aumento numérico das médicas; é crucial garantir que essa evolução se traduza em igualdade em termos de condições laborais, acesso às oportunidades e remuneração justa.

Metodologia Detalhada

A pesquisa utilizou uma combinação de métodos distintos. A maior parte dos dados – incluindo informações sobre o total de médicos ativos, feminização da profissão e suas características demográficas – foi obtida através de fontes oficiais como o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o banco nacional do CFM. Essas informações permitem análises abrangentes sem necessitar da realização de entrevistas individuais.

A única parte do estudo baseada em entrevistas foi dedicada ao inquérito com cirurgiões gerais. Utilizando amostragem probabilística estratificada para garantir representatividade nas cinco regiões do Brasil, foram realizadas as 1.544 entrevistas telefônicas com profissionais registrados no Colégio Brasileiro de Cirurgiões -- sendo 798 somente em São Paulo. As entrevistas foram realizadas entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025 com um questionário estruturado contendo 35 perguntas e aprovada pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da USP.


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