Diário de São Paulo
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Nome de Streifinger desaba entre as corporações e expõe risco de caos institucional caso assuma a SSP

Histórico de abuso de autoridade, rejeição maciça da Polícia Civil, isolamento na SAP e incapacidade de comunicação tornam sua candidatura um erro estratégico que o governo não pode justificar

Delegados e agentes da Polícia Civil expressam preocupação com a possível nomeação de Streifinger, citando desvalorização da corporação. - Imagem: Divulgação / Alesp
Delegados e agentes da Polícia Civil expressam preocupação com a possível nomeação de Streifinger, citando desvalorização da corporação. - Imagem: Divulgação / Alesp

por Marina Milani

Publicado em 28/11/2025, às 16h18


A possível indicação do coronel da reserva Marcello Streifinger para a Secretaria da Segurança Pública (SSP) acendeu o sinal vermelho no setor. A avaliação de delegados, investigadores, agentes penitenciários, especialistas e até oficiais da PM é praticamente unânime: sua nomeação colocaria em risco a estabilidade institucional construída nos últimos anos.

Nos bastidores, a indicação já é tratada como um dos movimentos mais arriscados que o governo poderia fazer na área de segurança. E os motivos não são poucos.

1. Resistência inédita da Polícia Civil — ampla e explícita

A rejeição ao nome de Streifinger entre delegados e lideranças da Polícia Civil é pública, documentada e generalizada. A corporação entende que sua escolha representaria:

  • aprofundamento da desvalorização histórica da Civil;

  • enfraquecimento das funções investigativas;

  • perda de protagonismo;

  • manutenção de uma política percebida como hostil à instituição.

Para setores inteiros, a nomeação seria vista como afronta institucional — algo que um secretário dificilmente sobreviveria politicamente.

2. Histórico de abuso de autoridade — um fantasma que não desaparece

Streifinger já foi investigado por abuso de autoridade após ordenar apreensões consideradas ilegais de armas particulares de agentes penitenciários.

Mesmo com o arquivamento, o episódio permanece vivo porque:

  • expôs traços de autoritarismo;

  • gerou revolta interna;

  • abriu sindicância;

  • criou desconfiança sobre sua capacidade de comando;

  • levantou dúvidas sobre seu equilíbrio em situações de tensão.

Para uma pasta sob escrutínio constante, trata-se de um passivo delicado.

3. Incapacidade crônica de comunicação — um secretário que não fala

A SSP exige exposição diária: operações, crises, casos de repercussão, coletivas, notas públicas. É uma pasta em que comunicação não é acessório — é parte do trabalho.

E Streifinger simplesmente não fala.
Não concede entrevistas, não se relaciona com a imprensa, não explica decisões e não sustenta narrativas em momentos críticos.

Em outras palavras: seu perfil é incompatível com a função.
Um secretário de Segurança que não se comunica é uma crise anunciada.

4. Isolamento interno na SAP e atritos com servidores

Sua gestão na SAP é marcada por:

  • distanciamento dos servidores;

  • decisões unilaterais;

  • conflitos com categorias;

  • tensionamento disciplinar;

  • falta de diálogo com agentes penitenciários.

Se dentro da própria pasta já enfrenta resistência, levá-lo para a SSP — onde o grau de conflito é maior — é multiplicar problemas.

5. Risco de descontinuidade na SAP caso seja removido

Transferir Streifinger para a SSP criaria:

  • um vácuo imediato na administração penitenciária;

  • ruptura em processos internos ainda frágeis;

  • instabilidade em um sistema historicamente pressionado por facções.

Especialistas alertam que a SAP não tem sucessão preparada. Mexer ali agora seria abrir caminho para crises.

6. Falta de apoio político real

Apesar das especulações, Streifinger não possui base sólida:

  • não tem apoio da Polícia Civil;

  • não tem apoio da maioria da PM;

  • não tem apoio dos agentes penitenciários;

  • não tem respaldo de delegados ou investigadores;

  • não tem relação com a imprensa;

  • não possui boa interlocução política.

Um secretário sem apoio é um secretário isolado.
E secretário isolado cai — e puxa consigo quem o nomeou.

Conclusão: nomear Streifinger não é apenas um erro — é um risco calculado que ninguém quer assumir

A avaliação técnica é direta: a candidatura de Streifinger não se sustenta.

Ela falha:

  • na política,

  • na técnica,

  • na comunicação,

  • na gestão,

  • na segurança institucional,

  • no relacionamento com as corporações.

Para muitos dentro do governo, insistir nesse nome parece mais a criação de um problema do que a construção de uma solução.

Um secretário de Segurança não pode começar já rejeitado pelas forças da pasta, sob sombra de sindicâncias, sem comunicação pública e com risco real de ruptura institucional.

Simples e objetivo: não há sustentação política, técnica ou institucional para sua nomeação à SSP.


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