A mulher foi acusada de furto e teve sua sacola revistada por funcionários

Ana Rodrigues Publicado em 03/02/2024, às 14h37
Uma mulher negra foi acusada de furto e teve sua sacola revistada por funcionários de uma loja da Daiso na terça-feira (30).
Segundo o UOL, a assistente social Mirian Guedes, foi seguida no Shopping Tucuruvi em São Paulo, por dois funcionários da Daiso que perguntaram se "por engano", ela teria colocado algo na bolsa. Ela ainda filmou o momento em que a funcionária retira item por item da sacola, mas não encontra nenhum produto furtado.
A funcionária informou que foi alertada por seguranças de que Mirian furtou produtos da loja. Mirian contou ao UOL que, minutos antes, a mesma funcionária lhe abordou na loja para entregar um cesto de compras.
Mirian ainda disse que exigiu ver as filmagens, que supostamente gravaram o furto, eles voltaram para loja, onde os funcionárioas passaram a ignorá-la.
Fiquei 1 hora em pé esperando alguém falar comigo. Ela [a funcionária que a revistou] dava risada, tampava o ouvido, olhava com deboche e falava para eu parar de gritar".
Ela disse que foi apoiada por outros clientes da loja, que também filmaram o ocorrido e pressionaram os funcionários da loja por respostas.
Pessoas que eu nunca vi na vida ficaram comigo".
Um segurança do shopping foi até a loja, e foi quando Mirian abriu a bolsa e jogou todos os itens em cima de um balcão.
O segurança foi bem respeitoso, perguntou se eu queria água, se eu queria sair de lá".
A policia também foi acionada e chegou ao local por volta das 18 horas. Onde, Mirian foi levado a delegacia, mas só conseguiu fazer o boletim de ocorrência às 3 horas da manhã. O caso foi registrado como calúnia, injúria e preconceito de raça ou cor.
Segundo a informação da Secretaria de Segurança Pública, na delegacia, os funcionários da Daiso afirmaram que foram ofendidos por Mirian.
O sentimento é de vergonha, humilhação, porque nunca passei por isso [racismo] declaradamente. Passo pela loja todo dia porque é meu caminho, moro no Jaçanã desde que eu nasci. Depois as pessoas me falaram que me viram naquela hora na escada. Estou sendo muito acolhida por amigos, conhecidos, mas me sinto estranha. Anestesiada", disse Mirian Guedes ao UOL.
Nas redes sociais, o perfil da Daiso disse que está averiguando os detalhes do ocorrido, "incluindo a análise de todas as câmeras de segurança, depoimentos e tudo que for necessário para apuração dos relatos veiculados".
A empresa ainda disse que repudia todo e qualquer ato de constrangimento, discriminação, preconceito ou racismo.
Tão logo sejam apurados os detalhes do caso agiremos com total integridade e justiça".
Confira o vídeo:
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