Segundo a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, a falta de estímulo à vacinação do governo federal sob a gestão Bolsonaro resultaram um desperdício bilionário de remédios, vacinas e EPIs no Ministério da Saúde

Marina Roveda Publicado em 19/04/2023, às 08h23
Ministério da Saúde planeja distribuição de insumos próximos do vencimento para hospitais federais, municipais e estaduais. O plano de distribuição deve ser divulgado entre o fim de abril e o início de maio, segundo afirmou a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente da pasta, Ethel Maciel. Entre os insumos, há medicamentos, vacinas, seringas, capotes e luvas no valor de R$ 75 milhões, adquiridos durante a gestão Bolsonaro por conta da pandemia de Covid-19.
A Comissão da Câmara de Deputados identificou o descarte de R$ 2,2 bilhões em estoques de vacinas, testes de Covid-19 e injeções durante uma fiscalização no almoxarifado central do Ministério da Saúde, em Guarulhos, Grande São Paulo. Para evitar o desperdício, a secretária afirmou que haverá um alinhamento com conselhos estaduais e municipais e secretários de Saúde para identificar municípios que podem receber um maior quantitativo e trabalhar junto com o grupo de trabalho criado pelo ministério para distribuição nos nossos próprios hospitais da rede federal, estados e municípios para receber esses insumos antes do vencimento.
A secretária afirmou que uma parcela das vacinasdeve ser redistribuída no país e outra encaminhada para o exterior, devido à quantidade excessiva de imunizantes e ao curto prazo para utilização antes do vencimento pela população brasileira. A parcela excedente, formada principalmente por vacinas contra febre amarela, raiva e Covid, será repassada a outros países por meio de parceria com organismos internacionais como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Segundo Ethel, o descarte de insumos não foi necessariamente provocado por um erro na aquisição dos produtos, mas sim por desalinhamento nas políticas públicas do governo federal e pela campanha de desestímulo à vacinação, que fez com que pessoas comparecessem menos aos serviços de saúde para serem vacinadas.
“Não só a vacinação, a própria desarticulação de programas que eram de políticas públicas muito fortes, como contra Aids, fez com que houvesse uma diminuição de diagnósticos e de procura por esses medicamentos, uma diminuição de políticas de saúde da mulher. Todas essa diminuição de acesso fez com que esses números chegassem a esses patamares”.
A secretaria afirma que o conjunto de fatores fez com que chegássemos a esses números trágicos. Um grupo de trabalho criado pelo ministérioestá produzindo um relatório com detalhamento sobre a quantidade dos insumos identificados que ainda estão dentro do prazo de vencimento, e deve ficar pronto até o fim de abril ou início de maio. Depois disso, haverá alinhamento para repassar o material apto para uso para unidades de saúde pelo país.
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