Protestos em São Paulo e Rio reuniram manifestantes contra o PL 1904, que visa equiparar o aborto tardio ao homicídio

Sabrina Oliveira Publicado em 24/06/2024, às 09h46
Neste domingo (23), manifestantes tomaram as ruas de São Paulo e Rio de Janeiro em protesto contra o Projeto de Lei 1904/24, que propõe equiparar o aborto acima de 22 semanas de gestação ao homicídio, aumentando a pena máxima para quem realizar o procedimento de dez para 20 anos.
Em São Paulo, o ato teve início em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, um local simbólico para manifestações na capital. Esta foi a terceira manifestação no local contra o PL 1904 desde o dia 13 de junho. A movimentação contou com uma bateria de tambores que dava ritmo aos gritos de ordem e manifestantes revezando-se ao microfone para expor os motivos do protesto. Muitos dos participantes usavam lenços verdes, símbolo internacional da luta pelo direito ao aborto legal.
Letícia Parks, militante do movimento Pão e Rosas, destacou a urgência da mobilização, uma vez que há o risco de o projeto ser votado em agosto. "É muito importante dar um recado para o Congresso de que nós não vamos parar de lutar enquanto esse PL continuar em pauta", afirmou. Ela também ressaltou a necessidade de lutar pela ampliação dos direitos ao aborto, defendendo um procedimento legal, livre, seguro e gratuito. "Estamos lutando pelo direito das mulheres e das pessoas com útero de decidirem sobre o próprio corpo de forma totalmente livre", disse.
No Rio de Janeiro, a manifestação ocorreu na Praia de Copacabana, na zona sul da cidade. Centenas de pessoas se reuniram para pedir o arquivamento imediato do PL 1904/24. Clara Saraiva, assistente social e membro da Frente Estadual contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto no estado do Rio, foi uma das organizadoras do evento. Ela destacou que o ato faz parte do movimento nacional chamado "Criança não é Mãe", que busca proteger os direitos das mulheres e evitar a criminalização severa proposta pelo projeto. “A mais do que impedir, ele criminaliza, tratando as mulheres como homicidas, podendo pegar uma pena de até 20 anos, o que é extremamente grave, uma pena maior do que a do estupro”, disse.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) também participou do protesto, enfatizando a importância da mobilização popular como instrumento de pressão sobre os parlamentares.
A presença nossa nas ruas é decisiva, que nos dá a principal sustentação, para que a gente tenha vitória no Congresso Nacional. Esse PL 1904, além de inconstitucional, é absolutamente criminoso e nos leva para o início do século passado. Criança não é mãe, estuprador não é pai”, afirmou Feghali.
Os manifestantes também criticaram o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Na última semana, Lira anunciou a criação de uma comissão para debater o projeto de lei no segundo semestre, após críticas da sociedade civil e de autoridades ao teor do projeto e à decisão dos deputados federais de aprovar o regime de urgência para a proposta. Francisco Viana de Souza, um dos participantes do protesto no Rio, afirmou que "o povo foi desrespeitado" com a aprovação do regime de urgência.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Moraes dá 48 horas para defesa de Bolsonaro explicar divulgação de carta lida por Flávio nas redes

Frente fria traz garoa e frio intenso para São Paulo nesta semana

Petróleo dispara com nova escalada entre EUA e Irã e mercado teme impactos globais

Propostas do governo Trump para flexibilizar venda de armas preocupam especialistas sobre impacto no tráfico internacional

Ônibus furtado invade imóvel na Cidade Tiradentes e motorista foge após colisão

Falso assalto termina com dois funcionários baleados por policial de folga na Zona Leste de São Paulo

Petróleo dispara com nova escalada entre EUA e Irã e mercado teme impactos globais

Os 5 ataques cibernéticos mais comuns: Como evitar ser a próxima vítima