Diário de São Paulo
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Lista de credores da Fictor inclui bordel em SP e condenado por tráfico

Holding investigada pela Polícia Federal por suspeita de fraude ligada ao Banco Master acumula dívida de R$ 4,2 bilhões e tem mais de 13 mil credores.

Fictor deve apresentar nova lista de credores após inconsistências apontadas no processo de recuperação judicial - Imagem: CasterClub
Fictor deve apresentar nova lista de credores após inconsistências apontadas no processo de recuperação judicial - Imagem: CasterClub

Ana Beatriz Publicado em 13/02/2026, às 14h31


A holding financeira Fictor, que solicitou recuperação judicial em fevereiro, possui uma dívida de R$ 4,2 bilhões e uma lista de mais de 13 mil credores, incluindo empresas e indivíduos com histórico criminal, levantando suspeitas de fraude na compra do Banco Master.

A maior parte dos credores está vinculada a um modelo de Sociedade em Conta de Participação (SCP), que a Fictor utilizou para captar recursos, mas denúncias indicam que a empresa pode ter comercializado essas cotas de forma irregular, ampliando sua base de investidores.

Em resposta a inconsistências na lista de credores, como a inclusão de empresas que negam vínculos financeiros, o Tribunal de Justiça de São Paulo exigiu uma nova lista, com prazo até esta sexta-feira, enquanto as investigações sobre a Fictor continuam.

A holding financeira Fictor, que entrou com pedido de recuperação judicial no início de fevereiro, revelou uma lista de credores que inclui desde empresas e investidores até um bordel localizado na zona leste de São Paulo e um homem que cumpriu pena por tráfico de drogas em Campinas, no interior paulista. O grupo é investigado pela Polícia Federal por suspeita de fraude relacionada à tentativa de compra do Banco Master.

Segundo documentos apresentados à Justiça, a Fictor acumula uma dívida estimada em R$ 4,2 bilhões e possui mais de 13 mil credores entre pessoas físicas e jurídicas. A maior parte dos credores está ligada ao modelo de Sociedade em Conta de Participação (SCP), mecanismo pelo qual investidores aportam recursos em determinado empreendimento, sem participação direta na gestão.

De acordo com denúncias que tramitam na Justiça, a empresa teria comercializado cotas de SCPs no varejo para captação de recursos, apresentando o modelo como forma de investimento. A prática, segundo os relatos investigados, teria ampliado significativamente a base de investidores e o volume de recursos movimentados pela holding.

Entre os nomes listados como credores estão a casa noturna localizada na capital paulista, que aparece com crédito estimado em R$ 1 milhão, e um homem que já cumpriu pena por tráfico de drogas, que teria R$ 2,5 milhões a receber do grupo. Ambos teriam realizado aportes por meio das SCPs comercializadas pela empresa.

A relação de credores apresentada pela Fictor também gerou questionamentos. Algumas empresas negaram ter qualquer vínculo financeiro com a holding. Entre elas está a American Express, que apareceu na lista com um suposto crédito de R$ 891,3 milhões.

Diante das inconsistências, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a empresa apresente uma nova lista de credores. O prazo estabelecido pela Justiça termina nesta sexta-feira (13).

As investigações sobre a atuação da Fictor e possíveis irregularidades seguem em andamento.


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