Diário de São Paulo
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Violência contra a mulher

Ligue 180 ultrapassa 1 milhão de atendimentos e revela escalada da violência contra mulheres no Brasil

Canal registrou alta de 45% em 2025 e crescimento segue em 2026, com predominância de violência psicológica e casos recorrentes dentro de casa.

Atendimento do Ligue 180 ultrapassa 1 milhão de registros e revela avanço da violência contra mulheres no país em 2025 - Imagem: Reprodução
Atendimento do Ligue 180 ultrapassa 1 milhão de registros e revela avanço da violência contra mulheres no país em 2025 - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 15/04/2026, às 10h25


Em 2025, a Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, registrou mais de 1 milhão de atendimentos, um aumento de 45% em relação ao ano anterior, evidenciando a escalada da violência contra mulheres no Brasil.

A violência psicológica lidera os registros, representando quase 50% dos casos, e a maioria das agressões ocorre no ambiente doméstico, com agressores frequentemente sendo parceiros ou ex-companheiros.

Apesar do aumento no uso do Ligue 180, que oferece suporte e encaminhamento, especialistas alertam para desafios persistentes, como a dificuldade de acesso à proteção e a subnotificação de casos, destacando a importância de denunciar para romper ciclos de violência.

A Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, registrou um crescimento expressivo no número de atendimentos em 2025, ultrapassando a marca de 1 milhão de registros e acendendo um alerta nacional sobre o avanço da violência contra mulheres no Brasil.

De acordo com dados do Ministério das Mulheres, foram 1.088.900 atendimentos ao longo do ano, o que representa um aumento de 45% em relação a 2024. Na prática, isso equivale a uma média de cerca de 3 mil atendimentos por dia, incluindo denúncias, pedidos de orientação e busca por apoio na rede de proteção.

O crescimento não desacelerou em 2026. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o serviço registrou 301 mil atendimentos e mais de 45 mil denúncias, com altas de 14% e 23%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Violência psicológica lidera e expõe ciclo invisível

Entre os tipos de violência relatados, a violência psicológica aparece como a mais frequente, representando quase metade dos casos (49,9%). Esse tipo de agressão inclui ameaças, manipulação, humilhações e controle emocional, práticas muitas vezes invisíveis, mas que podem evoluir para agressões físicas e até feminicídio.

Na sequência aparecem a violência física (15,3%), patrimonial (5,4%) e sexual (3%).

Especialistas apontam que o crescimento desse tipo de violência é um dos principais sinais de alerta, já que frequentemente antecede casos mais graves.

Casa ainda é o principal cenário da violência

Os dados mostram que a violência contra a mulher continua, majoritariamente, dentro de casa.

  • 40,7% dos casos ocorrem na residência da vítima
  • 28,5% acontecem na casa compartilhada com o agressor

Além disso, a maioria dos agressores possui vínculo afetivo com a vítima, como parceiros ou ex-companheiros.

Outro dado preocupante é a recorrência da violência:

  • 31,8% das vítimas relatam agressões diárias
  • Mais de 20% sofrem abusos há mais de um ano

Mais denúncias ou mais violência?

O aumento dos registros pode ser interpretado por dois fatores simultâneos:

  1. Maior conscientização e acesso aos canais de denúncia
  2. Crescimento real dos casos de violência no país

Embora o avanço no uso do Ligue 180 represente um passo importante no combate à violência, os números também indicam que o problema permanece estrutural e longe de ser controlado.

Sistema de proteção ainda enfrenta gargalos

Mesmo com o aumento dos atendimentos, especialistas apontam desafios críticos:

  • dificuldade de acesso à rede de proteção
  • demora na concessão de medidas protetivas
  • dependência financeira e emocional das vítimas
  • subnotificação de casos

O Ligue 180 atua como porta de entrada, oferecendo orientação, acolhimento e encaminhamento para serviços como delegacias, centros de assistência e unidades de saúde.

O serviço funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa, e pode ser acessado por telefone, WhatsApp 61 9610 0180 e via e-mail [email protected].

Romper o silêncio ainda é o principal caminho

Diante do crescimento dos números em 2025 e da continuidade da alta em 2026, o cenário reforça uma mensagem central: denunciar pode ser decisivo para interromper ciclos de violência e salvar vidas.


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