Empresa fecha as últimas lojas em São Paulo, desativa o site e deixa divida superior a R$ 285 milhões

Erika Osti Publicado em 26/02/2026, às 19h06
A Livraria Cultura encerrou definitivamente as atividades após a confirmação da falência pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão foi comunicada à empresa neste mês e marca o fim de uma das redes mais tradicionais do mercado editorial brasileiro. As três últimas lojas, que funcionavam em Pinheiros, Vila Leopoldina e Higienópolis, na capital paulista, já estão fechadas. O site saiu do ar e o telefone de atendimento direciona para a caixa postal.
O valor da dívida declarada gira em torno de R$ 285 milhões, valor apresentado ainda no pedido de recuperação judicial, feito em outubro de 2018. A crise, no entanto, começou antes. Em 2016, editoras passaram a relatar atrasos e falhas nos pagamentos de livros vendidos. Parte dos valores prometidos não foi quitada ou acabou paga de forma parcial, o que abalou a confiança do mercado.
Durante a recuperação judicial, a empresa enfrentou dificuldades para cumprir o plano aprovado pelos credores. Em 2020, a pandemia agravou a situação com o fechamento das lojas físicas e queda nas vendas. Credores chegaram a rejeitar alterações no plano, e o processo acumulou recursos e decisões conflitantes ao longo dos anos.
Em 2023, a Justiça decretou a falência após apontar descumprimento das obrigações. Houve tentativas de reversão por meio de recursos, mas a deterioração financeira e as restrições operacionais culminaram no encerramento das atividades físicas e digitais.
Outro símbolo da crise foi a saída do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A livraria, inaugurada ali em 1969 por Eva Herz, acumulou dívida de aluguel estimada em R$ 15 milhões desde 2020 e acabou despejada por decisão judicial. O espaço hoje é ocupado pela Galeria Magalu, megaloja que reúne serviços da empresa de varejo Magazine Luiza.
Fundada em 1947 como uma biblioteca circulante na casa da família Herz, a Cultura se transformou em referência cultural e chegou a ter mais de mil funcionários e até 17 lojas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Porto Alegre. O fechamento encerra um capítulo importante da história do livro no país.
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