Suspeito, de apenas 15 anos, declarou ser admirador de Guilherme Taucci, responsável pelo ataque à escola em Suzano em 2019, que resultou na morte de dez pessoas

William Oliveira Publicado em 14/02/2025, às 09h08
Um jovem de 15 anos, residente em Embu das Artes, na Grande São Paulo, foi internado na Fundação Casa após ser descoberto planejando um ataque a uma instituição de ensino. O alerta foi emitido pelo Núcleo Técnico de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal (MPF).
As investigações começaram com o monitoramento das redes sociais, incluindo áreas da deep web e dark web, onde conteúdos não indexados são veiculados. Durante esse monitoramento, o MPF identificou postagens em um perfil anônimo que faziam referência a "voltar ao lugar que te fizeram sofrer para retribuir tudo que passou, sem sentir remorso nem empatia". Em uma publicação anterior, o responsável pelo perfil escreveu: "daqui a alguns meses, estarei deixando minha casa pela última vez, e nunca mais eu vou voltar".
Após investigações, as autoridades descobriram que o adolescente é estudante do primeiro ano do ensino médio na Escola Estadual Alexandrina Bassith e, neste ano, estava matriculado na escola Jardim da Luz, ambas em Embu das Artes, onde, segundo relatos, ele sofreu bullying.
A Polícia Civil foi acionada e conseguiu localizar o jovem. Durante o depoimento, ele confessou o planejamento do ataque. O adolescente havia adquirido fogos de artifício e rojões com a intenção de extrair pólvora para confeccionar uma bomba caseira. Materiais relacionados à fabricação da bomba e um simulacro de arma foram encontrados em sua residência. A mãe do jovem também foi ouvida e afirmou desconhecer os planos do filho, embora tenha relatado que o acompanhava nas compras dos fogos.
De acordo com Ariel de Castro Alves, ex-Secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o jovem poderá ser responsabilizado por três atos infracionais, que frequentemente envolvem ameaças e apologia à prática de crimes.
A internação do adolescente na Fundação Casa é provisória, com duração de 45 dias, durante os quais a Justiça avaliará a situação. Uma audiência foi agendada para as próximas duas semanas, e o processo segue sob segredo de Justiça.
Nas postagens e no depoimento, o jovem declarou ser admirador de Guilherme Taucci, responsável pelo ataque à escola em Suzano em 2019, que resultou na morte de dez pessoas e deixou outras onze feridas.
Ariel de Castro Alves enfatizou a necessidade de um acompanhamento psicológico mais eficaz nas escolas, argumentando que intervenções preventivas devem ser regulares, não esporádicas.
"Esses casos não ocorrem de uma hora para outra, existe um planejamento. Se nós tivermos uma atuação consistente preventiva com profissionais especializados, os próprios professores sendo capacitados, certamente nós teremos mais êxito para evitar tragédias e violência nas escolas", afirmou.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) repudiou a incitação à violência nas escolas e informou que a equipe do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva SP) está atenta ao caso e oferecendo suporte à comunidade escolar. A secretaria também ressaltou que psicólogos realizam visitas semanais às unidades escolares e comunicam casos graves aos órgãos responsáveis pela proteção infantil e juvenil.
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