Suspeito cometeu o crime enquanto a vítima e os filhos assistiam ao jogo da seleção brasileira; ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça

Letícia Sales Publicado em 21/06/2026, às 16h49
Uma sequência de ameaças e pedidos de ajuda ignorados culminou em uma tragédia material para uma família em Votorantim, no interior de São Paulo. Na noite da última sexta-feira (19), Daniel Aparecido de Oliveira, de 35 anos, invadiu e ateou fogo na residência de sua ex-companheira, localizada no bairro Jardim Novo Mundo. O incêndio destruiu completamente o banheiro e os dois quartos do imóvel, onde a mulher residia com os filhos do casal, de 15 e 4 anos.
A violência ocorreu apenas dois dias após a Justiça emitir uma medida protetiva de urgência em favor da vítima, na quarta-feira (17). O documento, no entanto, não intimidou o agressor.
"Na quinta-feira ele foi no meu portão e falou que era para eu tirar a medida protetiva. Falei que eu não ia tirar. E aí quando foi na sexta-feira, no horário do jogo do Brasil, eu estava indo assistir ao jogo e ele foi lá, me ameaçou. Chamei a polícia, mas a polícia não veio na hora, então eu saí para ver o jogo", relata a moradora.
Pouco tempo após deixar o imóvel para acompanhar a partida da seleção na casa de conhecidos, a mulher foi surpreendida pelo telefonema desesperado de vizinhos avisando que o ex-marido estava incendiando o local. Moradores da região agiram rápido para retirar o automóvel da família da garagem e evitar que as chamas causassem estragos ainda maiores. "Não deu para salvar nada, porque a única coisa que eles conseguiram salvar foi meu carro. De resto, a gente perdeu tudo", diz.
Daniel foi contido por testemunhas no próprio bairro até a chegada da Polícia Militar, que efetuou a prisão em flagrante na madrugada de sábado (20). Após passar por audiência de custódia, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) converteu a detenção em prisão preventiva, mantendo o suspeito atrás das grades por tempo indeterminado.
Medo anunciado na internet
O ataque criminoso aconteceu quase dois meses após um contundente desabafo feito pela vítima nas redes sociais. No dia 24 de abril, utilizando o perfil profissional de seu trabalho como manicure, Gisele gravou um vídeo manifestando o temor constante de ser assassinada junto com os filhos. Na gravação, ela criticou a ineficácia dos registros policiais anteriores, que não impediam o ex-companheiro de cercar a residência.
"Eu fiz um vídeo falando que eu estava com medo e simplesmente a pessoa invadiu a minha casa, estourou a porta junto com meus filhos dentro. [...] Fiz outro boletim de ocorrência, falaram que ele ia ficar preso. Porém, he não ficou e já saiu", afirmou na publicação feita em abril.
O casal manteve um relacionamento por 17 anos e estava separado há cerca de seis meses, desde o início de 2026. O caso agora segue sob o acompanhamento das autoridades policiais de Votorantim para a conclusão do inquérito de violência doméstica e crime de incêndio majorado.
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