Diário de São Paulo
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Haddad deve assumir rótulo de “Taxad” em disputa contra Tarcísio em São Paulo

Estratégia de campanha aposta na taxação dos super-ricos, enquanto oposição tenta colar imagem de aumento de impostos

Fernando Haddad enfrenta desafios eleitorais e críticas sobre impostos na corrida pelo governo de São Paulo. - Imagem: Reprodução | Agência Brasil
Fernando Haddad enfrenta desafios eleitorais e críticas sobre impostos na corrida pelo governo de São Paulo. - Imagem: Reprodução | Agência Brasil

por Marina Milani

Publicado em 19/04/2026, às 11h52


O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), já se prepara para enfrentar o uso do apelido “Taxad” por adversários durante a corrida eleitoral deste ano. A principal disputa deve ocorrer contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece à frente nas pesquisas mais recentes.

A estratégia do entorno de Haddad é transformar a crítica em ativo político, vinculando sua imagem à defesa da taxação dos super-ricos como instrumento de justiça tributária. A linha de comunicação retoma medidas adotadas durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, como a tributação de apostas esportivas, fundos exclusivos (“come-cotas”), offshores e a proposta de imposto mínimo para multinacionais.

Internamente, aliados avaliam que esse discurso já foi testado em âmbito nacional — a chamada “taxação BBB” (bilionários, bancos e bets) — e teria contribuído para melhorar a percepção pública do ex-ministro após desgastes anteriores, como o episódio do imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares, apelidado de “taxa das blusinhas”.

Enquanto isso, a oposição deve explorar justamente esse histórico para reforçar o rótulo de aumento de impostos. A expectativa é de que o tema ganhe centralidade no debate eleitoral, especialmente em um cenário de polarização.

No campo das referências políticas, a equipe de Haddad observa experiências internacionais. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, tem sido citado como inspiração por defender abertamente a taxação dos mais ricos. Em recente ação simbólica, ele promoveu o chamado “Tax Day”, reforçando a proposta de elevar impostos sobre imóveis de alto valor pertencentes a não residentes.

As pesquisas de intenção de voto mostram um cenário desafiador para Haddad. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas indica vantagem de Tarcísio já no primeiro turno e ampla liderança em um eventual segundo turno. Por outro lado, aliados petistas se apoiam em dados de outras sondagens, como a Atlas, que apontam uma disputa mais equilibrada.

O quadro atual sugere uma campanha marcada por embates diretos sobre política fiscal, gestão econômica e narrativa pública, com o tema da tributação no centro da disputa entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas.


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