Durante o velório, Yara Frateschi expressou sua dor e defendeu o irmão, Francisco, que sofre de problemas psiquiátricos; o ex-deputado foi morto a facadas na manhã de quinta-feira (6)

William Oliveira Publicado em 08/11/2025, às 08h00
Na última sexta-feira (7), Yara Frateschi, filha mais velha do ex-deputado Paulo Frateschi, de 75 anos, manifestou-se publicamente sobre a morte trágica de seu pai, vítima de um ataque fatal cometido pelo próprio filho, Francisco Frateschi, de 34 anos. O caso chocou a família e a sociedade.
Durante o velório, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Yara expressou sua dor e defendeu o irmão, afirmando que Francisco não é um “monstro”, mas alguém que enfrenta graves problemas psiquiátricos.
“É uma doença psíquica e a gente precisa saber lidar com isso. Ele [meu irmão] não é um monstro. Por isso, estamos sofrendo uma dor imensa”, declarou a professora, emocionada.
Segundo Yara, os distúrbios mentais do irmão tiveram início após um acidente automobilístico e foram agravados pela perda precoce de dois irmãos, Pedro e Júlio, ambos vítimas de acidentes de carro. Pedro faleceu em 2002, aos sete anos, e Júlio no ano seguinte, aos 16.
Yara descreveu Francisco como “um menino maravilhoso”, destacando que ele nunca demonstrou agressividade.
“O Chico nunca levantou a voz para uma pessoa. Ele nunca bateu numa pessoa. Por onde o Chico passou, ele levou alegria, amor. Ele tinha um carinho imensurável pelo pai”, afirmou.
A professora ressaltou ainda que o irmão está inconsciente após o crime e precisa de tratamento psiquiátrico urgente. “Ele está doente e não sabe o que fez. É muito importante dizer isso pra vocês, porque tem muita maldade circulando e jogo sujo”, acrescentou.
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A mãe de Francisco, Yolanda Frateschi, também foi agredida durante o surto. Ela sofreu um deslocamento no ombro e precisará passar por cirurgia. Mesmo hospitalizada, recebeu alta temporária para comparecer ao velório do marido, que contou com a presença de figuras políticas como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ex-ministro José Dirceu.
Ainda durante a fala, Yara também relembrou da trajetória política do pai, que lutou contra a ditadura no Brasil, e foi chegou a ser preso e torturado pelo regime militar. Ela ainda frisou que o político participou diretemente da fundação do PT durante a democratização.
"Foi uma vida na luta. Era um cara incrível, que tinha um senso de compromisso com o país", afirmou.
De acordo com relatos, Francisco residia em Paraty (RJ) e havia viajado a São Paulo para realizar uma consulta psiquiátrica.
O crime
Na manhã de quinta-feira (6), na Vila Ipojuca, zona oeste de São Paulo, o ex-deputado estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Paulo Frateschi, foi morto a facadas pelo filho, durante um surto psicótico.
A Polícia Militar informou que Francisco atacou o pai com golpes na cabeça e no braço, além de agredir a mãe. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o homem em estado de surto e realizaram a contenção.
Paulo Frateschi foi socorrido e levado ao Hospital das Clínicas, no centro da capital, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo após uma parada cardiorrespiratória.
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