Ação coordenada entre governo estadual e federal prevê entrega de moradias dignas para famílias cadastradas no Minha Casa Minha Vida

por Marina Milani
Publicado em 22/10/2025, às 18h05
O cenário da Favela do Moinho, no Centro de São Paulo, mudou nos últimos meses. As ruas antes movimentadas deram lugar a máquinas, entulho e silêncio, marcando a fase final da desocupação da comunidade — a última área habitacional irregular da região central.
De acordo com o Governo do Estado, cerca de 880 famílias viviam na comunidade. Hoje, 75% já deixaram o local, como parte do processo de reassentamento habitacional iniciado em abril deste ano. A operação integra uma ação conjunta com o governo federal, dentro do programa Minha Casa Minha Vida, que garante imóveis quitados de até R$ 250 mil para as famílias cadastradas.
Na última semana, a Justiça Federal determinou a limpeza do entulho acumulado e suspendeu temporariamente as demolições. O secretário estadual da Habitação, Marcelo Branco, explicou que o novo cronograma prevê a conclusão da limpeza e, em seguida, o retorno das demolições.
“O que definimos foi um cronograma com a Justiça: faremos toda a limpeza do material já removido e, posteriormente, continuaremos com as demolições, sempre cuidando das famílias”, afirmou o secretário.
O processo de desocupação avança com apoio da CDHU, que coordena a remoção e acompanha as famílias na escolha dos novos imóveis. Segundo o órgão, as cartas de crédito já foram emitidas e os beneficiários podem selecionar suas moradias conforme as regras do programa.
Apesar do andamento da operação, alguns moradores ainda aguardam a finalização do processo de realocação. Leidivania Domingas Serra Teixeira, que vive na comunidade há anos, aguarda a definição de seu novo endereço.
“Prometeram que a gente iria direto para o apartamento pronto. Estou aguardando a confirmação”, disse.
Entre os que já deixaram o local, há histórias de recomeço. O porteiro Marinaldo Pereira da Silva viveu duas décadas no Moinho e se mudou recentemente para Itaquera, na Zona Leste.
“Assinei tudo certinho, o apartamento é bom. Agora é uma nova fase da vida”, contou.
O Ministério das Cidades informou que 552 famílias já foram contempladas pela modalidade de compra assistida do Minha Casa Minha Vida e outras 40 ainda finalizam o processo de cadastro.
Enquanto o entorno passa por limpeza e reurbanização, o governo estadual estuda novos projetos para o terreno, com o objetivo de revitalizar a área central e promover habitação digna a todas as famílias envolvidas.
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