As operadoras Upbus e Transwolff foram alvo de investigação por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital, levando ao cancelamento dos contratos

William Oliveira Publicado em 11/02/2025, às 12h25
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou que várias empresas demonstraram interesse em assumir as operações das linhas de ônibus anteriormente geridas pela Upbus e Transwolff, ambas sob investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) devido a supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os contratos com essas operadoras foram rescindidos no mês passado, após a gestão municipal não acolher suas defesas. Durante uma coletiva realizada na entrega da reforma do terminal de ônibus Amaral Gurgel, o prefeito afirmou que uma portaria para a cessão dos direitos sobre as linhas será publicada ainda nesta semana, com a expectativa de que até o final de fevereiro as novas operadoras sejam anunciadas.
"Dentro do contexto da licitação, a gente faz uma proposta para ver se alguém quer fazer a substituição. Várias empresas já se candidataram. Elas passarão por uma análise financeira e técnica para assumir o serviço. Tendo essa capacidade, o processo flui e se faz a substituição. Não havendo, a gente faz uma nova licitação. Esperamos resolver com a substituição", declarou Nunes.
Celso Caldeira, secretário de Transporte e Mobilidade Urbana, complementou que as empresas interessadas já operam em diversas localidades do estado de São Paulo.
Enquanto a transição não ocorre, as linhas da Upbus e Transwolff continuarão sob operação direta da prefeitura, por meio de intervenção.
Investigação
A caducidade dos contratos da Transwolff e Upbus foi discutida após a apresentação das defesas das concessionárias em 27 de janeiro. Desde abril, ambas estão sob intervenção devido a acusações de vínculos com o PCC.
Os proprietários da Transwolff e Upbus foram alvos de mandados de prisão durante uma operação policial. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao MPSP, a Transwolff teria recebido R$ 54 milhões da facção criminosa para participar do processo licitatório do transporte público na capital.
As duas empresas são responsáveis pelo transporte de cerca de 700 mil passageiros nas regiões sul e leste da cidade.
Posicionamento das empresas
A Transwolff se manifestou em nota, contestando o rompimento contratual e alegando que foi feito sem consideração aos princípios legais fundamentais. A empresa argumenta que não existem provas concretas que estabeleçam qualquer conexão entre seus dirigentes e organizações criminosas e critica a decisão da Prefeitura como "inconstitucional" e "sem fundamento jurídico". A concessionária informou que pretende recorrer judicialmente para restaurar a legalidade do processo.
A UpBus ainda não se manifestou em relação à decisão.
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