Diário de São Paulo
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Empresa sancionada pelos EUA

Empresa ligada ao PCC sancionada pelos EUA fez repasse de R$ 1 milhão a empresa de Buzeira

Victory Trading, do empresário Victor Shimada, aparece em investigação da Polícia Civil sobre o caso Corinthians-VaideBet; influenciador não é alvo do inquérito

Victor Henrique de Oliveira Shimada, dono da Victory Trading, é acusado de liderar uma rede que lavou milhões para o PCC usando criptomoedas - Imagem: Reprodução
Victor Henrique de Oliveira Shimada, dono da Victory Trading, é acusado de liderar uma rede que lavou milhões para o PCC usando criptomoedas - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 02/07/2026, às 09h48


A Victory Trading Intermediação de Negócios, uma das empresas atingidas pelas sanções impostas na quarta-feira (1º) pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com uma rede de lavagem de dinheiro associada ao PCC, também aparece em outra investigação da Polícia Civil de São Paulo. Desta vez, o caso envolve movimentações financeiras consideradas atípicas com a empresa do influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira, preso desde outubro de 2025.

Buzeira foi alvo da Operação Narco Bet, deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da Operação Narco Vela, que apura um esquema de tráfico internacional de drogas combinado a lavagem de dinheiro.

Segundo relatório produzido pela Delegacia de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil no inquérito que investiga o desvio de recursos do contrato de patrocínio entre Corinthians e VaideBet, a Victory Trading realizou, em um único dia, duas transferências que somaram R$ 1 milhão para a empresa Buzeira Digital Ltda. Os documentos apontam dois repasses: R$ 490 mil e R$ 510 mil, ambos em 1º de abril de 2024. Dias depois, em 22 de abril, a Victory enviou mais R$ 300 mil à empresa do influenciador.

Sequência de repasses chama atenção

De acordo com o relatório, as movimentações para a Buzeira Digital ocorreram pouco depois de a Victory Trading enviar R$ 200 mil à empresa UJ Football Talent — companhia já citada em outras investigações policiais e mencionada na delação de Antonio Vinicius Gritzbach por suposta ligação com integrantes do PCC. Os policiais registraram que a Victory transferiu os R$ 200 mil à UJ Football em 28 de março de 2024 e, três dias depois, efetuou os repasses de R$ 1 milhão para a empresa de Buzeira.

Para os investigadores, essa sequência de operações mereceu destaque por ter acontecido poucos dias após recursos desviados do contrato entre Corinthians e VaideBet passarem por empresas que integram o mesmo fluxo financeiro.

Buzeira não é investigado no caso Corinthians

O nome do influenciador aparece apenas na análise das movimentações financeiras feita pela Polícia Civil dentro do inquérito sobre o Corinthians. Ele não foi denunciado nem é investigado nesse processo, que tem como foco dirigentes do clube, intermediários e operadores financeiros — entre eles Victor Henrique de Oliveira Shimada, sócio da Victory Trading.

Apesar de não integrar a investigação sobre o clube, Buzeira é réu em outro processo, denunciado pelo Ministério Público Federal no âmbito da Operação Narco Bet. Segundo o MPF, ele integra uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, exploração de apostas ilegais e ocultação de patrimônio por meio de empresas, criptomoedas e operações internacionais. O influenciador nega as acusações.

Quem é a Victory Trading

A Victory Trading pertence ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, um dos dois brasileiros sancionados nesta quarta-feira pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo o órgão americano, Shimada comandava uma rede internacional que lavou mais de US$ 30 milhões para o PCC, utilizando criptomoedas para fazer recursos do tráfico retornarem ao Brasil.

No país, Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público em julho de 2025 por lavagem de dinheiro no caso VaideBet. Para os investigadores, a Victory funciona como um "misturador" de capitais, usado para dar aparência de legalidade a recursos desviados dos cofres do Corinthians que tinham como destino final a empresa UJ Football Talent.