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Defesa

Diocese admite denúncia de assédio de padre a adolescente; entidade tem outra versão

Padre acusado teria denunciado ameaças por e-mail. Em reunião, adolescente envolve reclamação sobre administração da igreja

Padre acusado teria denunciado ameaças por e-mail. Em reunião, adolescente envolve reclamação sobre administração da igreja - Imagem: Reprodução / Freepik
Padre acusado teria denunciado ameaças por e-mail. Em reunião, adolescente envolve reclamação sobre administração da igreja - Imagem: Reprodução / Freepik

Jair Viana Publicado em 13/11/2024, às 18h02


A Diocese de São José do Rio Preto, embora confirme ter recebido a denúncia de assédio sexual praticado por um padre contra um adolescente de 17 anos à época, tem outra versão para o caso. Hoje, com 21 anos, o rapaz diz que foi molestado aos 17 anos e não aos 13, como publicado em reportagem anterior. O padre teria tentado levar o menino ao motel durante a viagem para comprar hóstias. Em nota, a Diocese aponta problemas administrativos na paróquia que teriam levado o rapaz a denunciar assédio, que, segundo a entidade, não teria ocorrido. O denunciante não teria concordado com as mudanças feitas.

O argumento da Diocese é o mesmo do padre, que segundo a entidade, já em junho de 2023 havia registrado boletim de ocorrência narrando os problemas com fieis em razão de mudanças que implementou da gestão da Paróquia. Segundo a Diocese, o padre teria revelado à polícia o seguinte: “Que após assumir a paróquia realizou mudanças administrativas com relação à parte financeira da paróquia. Que após a mudança houve um drástico aumento nos números de entrada de valores de oferta, dízimos (...) a partir de tal mudança, o declarante, padre, começou a receber ameaças veladas e diretamente ao próprio bispado, órgão responsável pela igreja local. Que o declarante recebeu e-mails anônimos, cartas, mensagens ao Senhor Bispo”, diz a nota.

Na nota oficial, a Diocese afirma que o padre acusado já havia registrado um B.O, afirmando que estava sendo ameaçado, por e-mails. Ainda segundo a própria Diocese, o jovem, em setembro de 2023, procurou pelo bispo Dom Antônio Emídio Vilar, por aplicativo de mensagem, relatando o caso de assédio. A nota diz ainda que uma audiência foi marcada para o dia 14 do mesmo mês, para que os fatos fossem esclarecidos.
Segundo nota, as autoridades eclesiásticas da Diocese viram coincidências entre a denúncia do padre à polícia e as acusações do jovem que diz ter sofrido assédio sexual pelo mesmo padre. "O fato registrado em boletim de ocorrência encontra sintonia no recebimento, por parte do bispo, de mensagem via WhatsApp no dia 11 de setembro de 2023, às 22h33. De imediato, e dando celeridade à recepção da “denúncia”, foi agendada audiência para o dia 14 de setembro de 2023, às 9h, na Cúria Diocesana", diz a nota.

A Diocese diz ainda, reforçando sua tese, que na reunião, o jovem acrescentou à denúncia os fatos relacionados à reclamação do padre junto à polícia. "O denunciante não se ateve exclusivamente à denúncia de cunho moral (não embasada em qualquer prova, nem mesmo print de supostas mensagens enviadas por parte do padre), mas procurou associar sua fala às questões de ordem econômica que já haviam sido alvo de boletim de ocorrência lavrado pelo sacerdote em 12 de junho de 2023", afirma outro trecho da nota.

ÍNTEGRA

"Considerando matéria publicada pelo jornal “Diário de S. Paulo” (terça-feira, 12 de novembro de 2024), a Diocese de São José do Rio Preto se apresenta disponível a tratar os fatos apresentados na reportagem à luz de DOCUMENTOS OFICIAIS que comprovam aquilo que declara, a lisura de seus métodos e o desejo inequívoco de esclarecimento:

No dia 12 de junho de 2023, às 11h11, o padre citado pelo “denunciante” lavrou Boletim de Ocorrência relatando: 

“que após assumir a paróquia realizou mudanças administrativas com relação a parte financeira da paróquia. Que após a mudança houve um drástico aumento nos números de entrada de valores de oferta, dízimos (...) a partir de tal mudança o declarante, padre, começou a receber ameaças velada e diretamente ao próprio bispado, órgão responsável pela igreja local. Que o declarante recebeu e-mails anônimos, cartas, mensagens ao Senhor Bispo”. 

O fato REGISTRADO EM BOLETIM DE OCORRÊNCIA encontra sintonia no recebimento, por parte do bispo, de mensagem via WhatsApp no dia 11 de setembro de 2023, às 22h33. De imediato, e dando celeridade à recepção da “denúncia”, foi agendada audiência para o dia 14 de setembro de 2023, às 9 h, na Cúria Diocesana. 

Na referida reunião, o “denunciante” não se ateve exclusivamente à denúncia de cunho moral (não embasada em qualquer prova, nem mesmo print de supostas mensagens enviadas por parte do padre), mas procurou associar sua fala às questões de ordem econômica que já haviam sido alvo de BOLETIM DE OCORRÊNCIA LAVRADO PELO SACERDOTE (em 12 de junho de 2023). 

Carta semelhante àquela publicada pelo “diário de S. Paulo”, e que originou a matéria alvo dessa argumentação, já havia sido fartamente distribuída pelo “denunciante” que assumiu essa prática antes mesmo de ter procurado canal oficial da Diocese (a recordar o contato com o bispo aconteceu apenas em 11 de setembro de 2023, às 22h33, por meio de mensagem no WhatsApp). 

Em diálogo com o “denunciante” em 14 de setembro de 2023, o bispo demonstrou disposição para tratar a demanda via instâncias constituídas e não a partir da imprensa como foi sugestionado pelo “denunciante” em tom de ameaça. Foi reafirmado o interesse da Diocese em uma nova reunião mediante a apresentação de elementos que pudessem colaborar na confirmação dos relatos. O encontro não aconteceu e, por essa razão, seu registro não consta dos arquivos da Cúria. 

Como citado em nota anterior, ainda que sem denúncia formal, a averiguação de praxe foi encaminhada RESULTANDO NA NÃO CONFIRMAÇÃO daquilo que esteve exposto em carta.

O padre citado, no decorrer dos meses, VOLTOU A LAVRAR BOLETIM DE OCORRÊNCIA (nessa segunda oportunidade transcrevendo o texto do “denunciante”) em 19 de junho de 2024, às 15h15, ao não ver cessar o expediente de difamação. O sacerdote evoluiu o Boletim de Ocorrência para “TERMO DE DECLARAÇÃO” (reafirmando seu desejo de investigação e esclarecimento das denúncias)."


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