Diário de São Paulo
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INVESTIGAÇÃO

Crime, herança e traição: advogados são investigados por assassinato de casal no interior de SP

Investigação revela que o crime foi planejado para encobrir um esquema de apropriação indevida de bens avaliados em R$ 12 milhões

José Eduardo Ometto Pavan e esposa Rosana Ferrari eram de Araraquara e foram mortos a tiros em chácara de São Pedro - Imagem: Reprodução / EPTV / Gustavo Nolasco / Arquivo pessoal
José Eduardo Ometto Pavan e esposa Rosana Ferrari eram de Araraquara e foram mortos a tiros em chácara de São Pedro - Imagem: Reprodução / EPTV / Gustavo Nolasco / Arquivo pessoal

William Oliveira Publicado em 20/06/2025, às 08h51


O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, no interior de São Paulo, conduz uma apuração sobre o assassinato do casal de empresários José Eduardo Ometto Pavan, de 69 anos, e Rosana Ferrari, de 60. O crime ocorreu no dia 4 de abril de 2025, em São Pedro, onde os corpos foram encontrados dois dias depois, dentro de um veículo e com sinais evidentes de violência.

Na segunda-feira (17), a polícia prendeu quatro suspeitos ligados ao caso, incluindo os advogados Hércules Praça Barroso e Fernanda Morales Teixeira Barroso. O casal de advogados teria encomendado a execução das vítimas e foi detido em um condomínio de alto padrão, na região entre Piracicaba e São Carlos. Na mesma operação, dois homens apontados como executores do crime foram capturados em Praia Grande.

Após a audiência de custódia realizada na terça-feira (18), a Justiça decidiu manter os quatro sob prisão temporária por pelo menos 30 dias. Os advogados dos acusados informaram que pretendem solicitar habeas corpus. A defesa dos executores, por sua vez, afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo e, portanto, não pôde elaborar sua linha de defesa.

Fernanda Morales Teixeira Barroso e Hércules Praça Barroso - Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Hércules Praça Barroso e Fernanda Morales Teixeira Barroso - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

De acordo com a Polícia Civil, os advogados estariam envolvidos em um esquema de apropriação indevida de bens das vítimas, estimados em cerca de R$ 12 milhões. Sob o pretexto de oferecer “proteção patrimonial”, eles teriam utilizado sua posição de confiança para desviar ativos dos empresários. As investigações apontam que o homicídio foi planejado para encobrir os crimes financeiros.

🔍 Cronologia dos fatos:

  • 2 de abril – Último contato registrado com Rosana Ferrari; ela demonstrava entusiasmo com os planos para o fim de semana.
  • 4 de abril – Data do crime, conforme apuração da Polícia Civil.
  • 5 de abril – Familiares estranham o silêncio da vítima.
  • 6 de abril – Vizinhos alertam a polícia sobre a ausência prolongada do casal.
  • 8 de abril – Velório realizado em Araraquara; sepultamento no Cemitério São Bento.
  • 17 de junho – Prisão dos quatro suspeitos.
  • 18 de junho – Irmão de Rosana revela à imprensa que a advogada suspeita esteve no velório das vítimas.

A motivação do crime seria o patrimônio vultoso deixado pelo casal, que não possuía herdeiros diretos. Desde 2013, os empresários mantinham relação profissional com os advogados presos, confiando-lhes a administração de bens por meio de uma holding. A polícia também investiga a existência de documentos falsificados que teriam possibilitado um desvio financeiro de aproximadamente R$ 2,8 milhões.

Entre os executores estão Carlos César Lopes de Oliveira, ex-motorista particular e ex-candidato a cargo público, e Ednaldo José Vieira. As autoridades não descartam a participação de outros envolvidos na execução do crime.

Os quatro suspeitos estão sendo formalmente acusados por homicídio qualificado, associação criminosa, estelionato e outros delitos correlatos. As investigações prosseguem, enquanto a sociedade e os familiares das vítimas clamam por justiça diante da brutalidade do caso.