Proposta, discutida na última segunda-feira (4), envolve a instalação de grades e sistemas de segurança com o objetivo de revitalizar o espaço

William Oliveira Publicado em 05/11/2024, às 10h17
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), vinculado à Prefeitura, optou por postergar a decisão sobre a conversão da Praça da República em um parque urbano. A proposta, discutida na última segunda-feira (4), envolve a instalação de grades e sistemas de segurança, como câmeras e controle de acesso, com o objetivo de revitalizar o espaço.
O tema foi debatido em uma reunião ordinária do Conpresp em conjunto com o Conselho de Segurança do Centro (Conseg), que é composto por residentes da área central. Cândido José Mendes Prunes, presidente do Conseg, defendeu a proposta, argumentando que ela poderia mitigar a "absoluta deterioração" da praça, que atualmente enfrenta problemas como prostituição, rotas de fuga para criminosos e pontos de tráfico e consumo de drogas.
A Praça da República, tombada como patrimônio desde 1985 e integrante do Plano de Proteção da Mata Atlântica no centro paulistano, teve sua transformação inicial reprovada pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. O órgão alegou que tal mudança poderia comprometer as características históricas do local.
Durante a reunião, o Conpresp decidiu que seria prudente reunir mais informações antes de submeter a proposta à Secretaria de Urbanismo para uma deliberação final. Um dos conselheiros destacou a presença da Secretaria Estadual de Educação, uma escola municipal e uma entrada importante do metrô no entorno da praça, o que exige uma análise detalhada das possíveis consequências da medida.
A iniciativa busca inspiração na revitalização já implementada na Praça Princesa Isabel, situada nos Campos Elíseos. Além das grades, o projeto prevê a instalação de câmeras para reforçar a segurança. Apesar disso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) manifestou-se contrário ao cercamento.
Ao ser questionado sobre alternativas ao gradil, Prunes defendeu que "cercar a praça" e implementar um controle mais rigoroso dos acessos seriam medidas fundamentais. Contudo, alertou que tal transformação poderia impactar atividades regulares no local, como eventos culturais e ações sociais destinadas a pessoas em situação de rua.
Segurança na região
Um levantamento realizado pela Polícia Militar (PM) em agosto destacou que o bairro da República ocupa a segunda posição no índice de roubos de celulares na capital paulista. Para enfrentar esse cenário, a PM mantém um posto policial na região.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou estar intensificando as ações contra crimes na área da Praça da República através do mapeamento das zonas mais críticas e do diálogo contínuo com comerciantes e moradores.
De acordo com dados da SSP, entre janeiro e setembro deste ano, houve uma redução significativa nos índices de criminalidade: 53,7% nos roubos e 41,1% nos furtos gerais na área do 3º Distrito Policial (Campos Elíseos), comparando-se ao mesmo período do ano anterior. Os furtos de veículos também seguiram essa tendência decrescente com uma queda de 21,9%.
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