Diário de São Paulo
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Marina Silva destaca urgência em Conferência Ambiental em SP

Conferência apresenta propostas para aumentar áreas verdes e promover a economia circular em resposta às mudanças climáticas

Evento promovido pela Secretaria do Verde discute soluções para desafios climáticos com a participação da população e especialistas. - Imagem: Divulgação / Palácio do Planalto
Evento promovido pela Secretaria do Verde discute soluções para desafios climáticos com a participação da população e especialistas. - Imagem: Divulgação / Palácio do Planalto

por Marina Milani

Publicado em 19/01/2025, às 13h11


No último sábado (18), a cidade de São Paulo sediou a Conferência Municipal de Meio Ambiente, promovida pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente. O evento, realizado na Barra Funda, teve como objetivo principal fomentar o diálogo e a construção de soluções eficazes para os desafios impostos pelas mudanças climáticas, com a participação ativa da população.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, marcou presença na conferência, que ocorre em um contexto de crescente preocupação ambiental na capital paulista. Recentemente, a cidade foi alvo de críticas em função da polêmica construção de um túnel na rua Sena Madureira, na Vila Mariana, que resultou na remoção de diversas árvores. Além disso, em setembro, São Paulo foi apontada como tendo a pior qualidade do ar do mundo, conforme um ranking que monitora grandes centros urbanos.

A retirada de áreas verdes contribui para o surgimento das chamadas ilhas de calor, impactando negativamente a saúde dos habitantes. Em uma recente votação, a Câmara Municipal aprovou um projeto que transformará uma área destinada à preservação ambiental em um aterro sanitário na região de São Mateus. Nesse cenário alarmante, especialistas destacam a urgência da recuperação de áreas verdes como uma estratégia vital para tornar as cidades mais permeáveis e resilientes às intensas chuvas e ao aumento das temperaturas.

"Os prefeitos e secretários enfrentam diariamente problemas relacionados às enchentes, secas e incêndios. É nesse nível que devemos debater para nutrir a formulação e implementação das políticas públicas necessárias", declarou Marina Silva durante o evento.

O tema central da conferência foi a emergência climática e a necessidade de uma transformação ecológica. Laura Cruz, uma catadora presente no evento, enfatizou: "São Paulo gera uma quantidade significativa de resíduos; precisamos urgentemente reduzir essa produção". Nanci Mesquita, também catadora, destacou a importância da inclusão dos trabalhadores de coleta na formulação das políticas de gestão de resíduos.

As deliberações feitas na conferência municipal são o primeiro passo rumo à criação de uma política nacional voltada para as mudanças climáticas. Em março próximo, será realizada a conferência estadual onde as propostas debatidas em São Paulo serão apresentadas.

Durante o evento foram selecionadas dez propostas que abrangem cinco eixos principais:

Mitigação

  • Expansão do programa de coleta seletiva para todos os bairros com incremento no número de ecopontos e contratação de cooperativas de catadores;
  • Criação de cidades polinucleadas com incentivo ao transporte público gratuito e de qualidade.
  • Aumento em 20% das áreas urbanas permeáveis através da ampliação de bosques urbanos e espaços verdes.

Adaptação

  • Implementação de um plano emergencial de arborização urbana que inclua criação de parques e jardins comunitários;
  • Revisão da legislação sobre adaptação às emergências climáticas com foco em planejamento integrado e vinculação ao orçamento público.

Justiça climática

  • Criar um programa federal com equipes locais para combater desastres naturais e promover campanhas educativas nas comunidades vulneráveis;
  • Assegurar moradia segura para famílias afetadas por desastres climáticos, priorizando grupos historicamente marginalizados.

Transformação Ecológica

  • Promoção da economia circular através da capacitação em tecnologias sustentáveis e reciclagem;
  • Criação de um Banco Verde Municipal para facilitar o acesso ao crédito para projetos sustentáveis.
    Educação ambiental
  • Estabelecer a obrigatoriedade da educação ambiental em todas as esferas educacionais;
  • Implementar ações interseccionais focadas na justiça climática dentro dos currículos escolares.

Tamires Oliveira, chefe de gabinete da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, comentou: "Discutir esses contextos é fundamental para ensinar outras cidades e compartilhar experiências visando um futuro mais resiliente".

A ministra Marina Silva reiterou a importância da participação ativa das cidades no desenvolvimento dessas iniciativas ambientais.