Grupo cobrava R$ 15 mil anuais e entre R$ 200 a R$ 300 mensais para permitir que os ambulantes, em sua maioria estrangeiros, montassem suas barracas na região

William Oliveira Publicado em 17/12/2024, às 10h22
Os policiais militares detidos nesta segunda-feira (16) por integrarem uma organização criminosa que realizava extorsões na região do Brás, no centro de São Paulo, atuavam em parceria com agiotas para cobrar pagamentos mensais e anuais de ambulantes.
Seis mandados de prisão foram expedidos contra cinco PMs da ativa e um reformado, no contexto da Operação Aurora, realizada em colaboração com o Ministério Público de São Paulo. Uma policial civil também foi alvo, além de oito civis.
De acordo com as investigações, o grupo cobrava R$ 15 mil anuais e entre R$ 200 a R$ 300 mensais para permitir que os ambulantes, em sua maioria estrangeiros, montassem suas barracas nas ruas do Brás. Quando as vítimas não conseguiam pagar, eram encaminhadas pelos PMs para os agiotas, que aplicavam juros de 20% ao mês.
Segundo o coronel Fábio Sérgio do Amaral, da Corregedoria da Polícia Militar, revelou que um dos policiais chegava a cobrar as dívidas contraídas pelos ambulantes com os agiotas. "Além das extorsões, essas cobranças propiciavam o interesse de agiotas na região. Os comerciantes, boa parte deles oriundos de outros países aqui da América Latina, não tinham o dinheiro para fazer o pagamento das luvas e eram encaminhados para agiotas, que cobravam juros exorbitantes. E depois adotavam práticas de cobrança violentas", explicou o coronel em coletiva.
"As testemunhas protegidas informaram que uma vítima de nacionalidade equatoriana obteve dinheiro com um desses agiotas, atrasou pagamento e teve sua casa invadida. Ele foi agredido, espancado e teve a quantia de R$ 4 mil em dinheiro subtraído de dentro da sua casa. Além de praticar extorsão, um dos PMs também era cobrador do agiota", completou.
Os policiais militares realizavam as cobranças dos ambulantes durante seus períodos de folga. Contudo, em serviço, passavam pela região para intimidá-los.
Ainda segundo o coronel Amaral, o primeiro alvo foi o cabo Renato, que atua na área do Brás, realizando o policiamento com motocicletas (Rocam). "Durante o serviço, ele passava pela região. Temos imagens dele circulando, parando a moto e conversando com os ambulantes. Era uma forma de intimidação, para mostrar que, mesmo em sua função como policial militar, ele estava presente", afirmou o coronel.
"É uma ação que eles praticavam e uma parte em serviço e uma parte durante a folga. Mas todos eles de forma organizada, dentro da estrutura da organização criminosa", acrescentou.
Além dos mandados de prisão, a operação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão, envolvendo cinco pessoas jurídicas e 15 físicas. Os sigilos bancário e fiscal de oito empresas e 21 pessoas também foram quebrados.
Com base em mensagens de WhatsApp obtidas por meio de quebra de sigilo e escutas ambientais, a organização criminosa chegou a arrecadar R$ 2.200 em uma única noite, em apenas uma rua da região.
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