Defesa de Eduardo Ferrari contesta enquadramento do caso como lesão corporal e aponta tentativa de homicídio com motivação homofóbica

Letícia Sales Publicado em 17/05/2026, às 20h23
O cabeleireiro Eduardo Ferrari, atacado com uma faca dentro de um salão de beleza na zona oeste de São Paulo, deve prestar depoimento à Corregedoria da Polícia Civil nos próximos dias. A informação foi confirmada pelos advogados Luiz Victor Almeida de Araújo e Quecia Jacqueline de Jesus Montino.
Segundo a defesa, o objetivo é questionar a condução inicial do caso, registrado como lesão corporal simples e ameaça. Os advogados sustentam que Eduardo foi vítima de tentativa de homicídio qualificado e homofobia dentro do próprio ambiente de trabalho.
Em nota enviada ao Metrópoles, os defensores afirmaram que “a defesa técnica reitera que não medirá esforços para que a justiça seja feita e para que crimes de ódio e atentados contra a vida, motivados por intolerância e futilidade, não fiquem impunes sob o manto de uma capitulação jurídica equivocada.”
Até o momento, ainda não há confirmação da data exata em que Eduardo será ouvido.
Defesa critica enquadramento do caso
A Corregedoria da Polícia Civil é responsável por fiscalizar a atuação de delegados, investigadores e demais servidores da instituição. Para os advogados do cabeleireiro, a classificação inicial da ocorrência não corresponde à gravidade do episódio.
O ataque ocorreu no dia 5 de maio, em um salão localizado na Avenida Marquês de São Vicente. A autora, identificada como Laís Gabriel Barbosa da Cunha, de 27 anos, foi detida pela Polícia Militar após esfaquear o profissional, mas acabou liberada depois de prestar depoimento no 91º Distrito Policial, o Ceasa.
O caso segue sendo investigado pelo 7º Distrito Policial da Lapa como lesão corporal e ameaça.
Relato de Eduardo nas redes sociais
Após o episódio, Eduardo Ferrari fez um desabafo nas redes sociais e afirmou que saiu da situação com a sensação de que “a homofobia parece aceitável no Brasil”.
O cabeleireiro também criticou o tratamento dado ao caso pelas autoridades e disse ter ouvido de uma agente policial que a ocorrência não teria sido registrada como tentativa de assassinato porque ele “não tem parentes influentes”.
“Quem comete um ato como esse não tem nada a perder. Eu tenho. Tenho uma carreira construída com anos de luta, estudo, dedicação e trabalho. Tenho um negócio. Tenho responsabilidades. Tenho pessoas que dependem diretamente da minha cadeira e do meu trabalho para levarem sustento para casa. Meu único desejo era que tudo isso nunca tivesse acontecido. Que eu pudesse continuar exercendo a profissão que carrego tatuada no corpo e na alma. Poder acordar todos os dias e fazer aquilo que amo. De verdade, não aguento mais tudo isso”, declarou.
Reclamações sobre corte antecederam ataque
Dias antes do crime, Laís publicou vídeos nas redes sociais reclamando do corte de cabelo realizado por Eduardo em abril. Nas gravações, ela demonstrou irritação com o resultado da franja.
“Ele pegou o meu cabelo e foi picotando com uma tesoura-navalha. Se vocês conseguem ver, a minha franja está parecendo o Cebolinha, porque ele cortou todo o meu cabelo. Eu mandei mensagem do WhatsApp e eles ficaram dois dias sem me responder”, afirmou.
Em outro vídeo, ela admitiu ter ofendido o cabeleireiro.
“Aí sabe o que eu fiz? Ofendi ele e falei: ‘seu viado desgraçado, arruma o meu cabelo’”, declarou.
Leia também

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Anac autoriza duas novas companhias aéreas internacionais a operar no Brasil

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes

São Paulo entra em alerta para temporais, ventos fortes e queda brusca de temperatura

Exame do IML não detecta lesões em menina de 4 anos; polícia segue com investigação em caso de clube social

Caiado promete pacote de reformas no primeiro dia de governo e inclui mudanças no STF

Thiago Brennand vai se casar com advogada que atua em sua defesa criminal

Justiça bloqueia veículos de empresa de Ana Hickmann em ação por cheques sem fundo

PF investiga suposta fraude financeira no Banco Digimais, ligado a Edir Macedo