Promessas de campanha não cumpridas, críticas públicas e ameaça de novos protestos colocam o governador em rota de colisão com a bancada da bala em ano eleitoral

Letícia Sales Publicado em 09/02/2026, às 09h56
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta uma crise crescente com as forças policiais do estado, justamente um dos pilares que sustentaram sua eleição. Eleito com forte apoio da chamada bancada da bala, o governador agora vê aliados históricos transformarem-se em críticos contundentes de sua gestão, em meio à frustração com promessas que, segundo a categoria, não saíram do papel.
Deputados estaduais ligados à segurança pública passaram a cobrar publicamente o governo na Assembleia Legislativa (Alesp), pressionados por bases eleitorais cada vez mais insatisfeitas. Reajustes salariais, pagamento de bônus, melhorias nas condições de trabalho e avanços em programas habitacionais estão entre as principais reivindicações que, até agora, não tiveram resposta concreta.
O descontentamento não se limita ao Legislativo. Associações e sindicatos de policiais acusam o governador de trair compromissos assumidos durante a campanha e articulam um novo protesto para o dia 26 de fevereiro, na Avenida Paulista, em frente ao Masp. Mais de 30 entidades ligadas às polícias Civil, Militar e Penal devem participar do ato.
Entre os pontos mais sensíveis está o veto de Tarcísio a um trecho de projeto que permitiria a contagem de até 10 anos de trabalho fora da corporação para fins de aposentadoria. A decisão foi interpretada pela categoria como um retrocesso e ampliou o desgaste com o Palácio dos Bandeirantes.
Também pesa contra o governo a demora na apresentação da nova Lei Orgânica da Polícia Civil e de um plano de carreira para a Polícia Militar, promessas feitas após protestos ainda em 2024. Mesmo com a sanção da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis pelo presidente Lula, São Paulo ainda não avançou na adequação estadual, o que mantém a insatisfação em alta.
Em pleno ano eleitoral, o afastamento entre Tarcísio e as forças policiais representa um risco político relevante. Deputados que dependem diretamente do apoio da categoria já sinalizam que não pretendem silenciar diante da pressão das bases — e o governador, antes símbolo de alinhamento com a segurança pública, passa a ser visto como um governante em débito com aqueles que o ajudaram a chegar ao poder.
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