O índice de preços do país atinge mais de 108% em um período de 12 meses, alcançando o nível mais alto em mais de 30 anos

Marina Roveda Publicado em 16/05/2023, às 08h09
O Banco Central da Argentinaelevou a taxa de juros de 91% para 97% nesta segunda-feira (15) como parte de um pacote de medidas anunciado pelo governo do país para lidar com a alta inflação. O índice de preços acumulado em 12 meses está acima de 108%, atingindo o maior nível em mais de 30 anos.
A decisão do Banco Central visa garantir "retornos reais positivos sobre os investimentos em moeda local [rumo à rentabilidade] e atuar imediatamente para evitar que a volatilidade financeira influencie as expectativas de inflação", afirmou a instituição em comunicado oficial.
Essa medida representa um aumento de 600 pontos na taxa de juros de referência. O objetivo é conter a aceleração dos preços, que continuam a subir rapidamente em abril, em meio a um ambiente econômico tenso com as eleições presidenciais marcadas para outubro.
O ministro da Economia, Sergio Massa, ainda não divulgou todos os detalhes das medidas que o governo argentino pretende implementar para combater a hiperinflação. Prevê-se que o programa inclua estímulos ao consumo e à importação de alimentos.
Sergio Massa é um dos possíveis candidatos à presidência do país pelo partido peronista. Segundo a imprensa argentina, as medidas também envolvem a abertura de importações em setores sensíveis, como alimentos frescos e têxteis, além de um maior controle de preços no comércio e um reforço nos subsídios sociais, uma vez que a taxa de pobreza atingiu 39,2% no final de 2022.
Embora sejam medidas desafiadoras para combater a inflaçãosem paralisar a atividade econômica, especialistas ressaltam que o objetivo é garantir a estabilidade financeira do país.
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