Sanae Takaichi, nova primeira-ministra do Japão, promete um governo mais inclusivo e com maior representatividade feminina

William Oliveira Publicado em 21/10/2025, às 11h44
Nesta terça-feira (21), Sanae Takaichi entrou para a história ao ser nomeada a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra do Japão. Sua eleição foi viabilizada por uma coligação parlamentar formada na véspera, após intensas negociações que culminaram em sua indicação pela Câmara Baixa do Parlamento japonês na primeira votação.
Aos 64 anos, Takaichi aguarda a formalização oficial de sua nomeação em um encontro com o imperador Naruhito, programado para ocorrer ainda hoje. Sua ascensão acontece em meio a um cenário político delicado, com o Japão enfrentando desafios internos e uma agenda internacional complexa, marcada pela iminente visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No início do mês, em 4 de outubro, Takaichi havia sido eleita presidente do Partido Liberal Democrático (PLD), força conservadora que governa o país quase sem interrupções desde 1955. No entanto, o partido vem sofrendo desgastes políticos e perda de apoio parlamentar após sucessivos escândalos financeiros que abalaram sua credibilidade.
A situação se agravou com o rompimento do Komeito, partido centrista que integrava a coalizão de governo desde 1999. O grupo se afastou em protesto contra as posturas conservadoras e os casos de corrupção envolvendo membros do PLD. Para assegurar sua liderança e suceder Shigeru Ishiba, Takaichi articulou uma aliança com o Partido Japonês para a Inovação (Ishin), de centro-direita reformista.
Novo governo
Admiradora da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, conhecida como “Dama de Ferro”, Takaichi prometeu um governo com maior representatividade feminina, inspirando-se em modelos escandinavos. Seu gabinete deve contar com um número recorde de mulheres em comparação à administração anterior, que possuía apenas duas ministras.
Entre as possíveis nomeações está Satsuki Katayama, ex-ministra da Revitalização Regional, cotada para assumir o Ministério das Finanças, segundo a mídia japonesa. Atualmente, o Japão ocupa a 118ª posição entre 148 países no relatório de 2025 do Fórum Econômico Mundial sobre disparidade de gênero, refletindo a baixa presença feminina na política — apenas 15% dos parlamentares da Câmara Baixa são mulheres.
Em sua agenda, Takaichi pretende incluir políticas voltadas à saúde feminina, como o debate sobre menopausa e cuidados reprodutivos. Ainda assim, suas posições conservadoras sobre igualdade de gênero dividem opiniões dentro do PLD. A nova primeira-ministra se opõe à mudança da lei que obriga casais a adotarem o mesmo sobrenome e defende que a sucessão imperial continue restrita aos homens.
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