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Surto de Ebola na RD Congo

OMS alerta para avanço preocupante de surto de Ebola na RD Congo com 177 mortes associadas

Autoridades de saúde enfrentam dificuldades para monitorar avanço da doença em áreas violentas e estimam que número real de infectados seja maior do que os casos confirmados

Trabalhadores vestem equipamentos de proteção individual no Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, no leste da República Democrática do Congo - Imagem: Reprodução/Michel Lunanga/Getty Images
Trabalhadores vestem equipamentos de proteção individual no Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, no leste da República Democrática do Congo - Imagem: Reprodução/Michel Lunanga/Getty Images

Julio Cezar Souza Publicado em 22/05/2026, às 10h21


A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como alarmante a situação do surto de Ebola na República Democrática do Congo. Segundo atualização divulgada nesta sexta-feira (22) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao menos 177 mortes já são consideradas ligadas à doença, enquanto quase 750 casos suspeitos seguem sob investigação.

Em publicação nas redes sociais, Tedros afirmou que o cenário pode ser ainda mais grave do que os números oficialmente confirmados até o momento. Segundo ele, apenas sete mortes tiveram confirmação laboratorial, mas a OMS acredita que a dimensão real da epidemia seja significativamente maior.

O diretor-geral destacou que os dados continuam sendo atualizados conforme avançam os testes laboratoriais e os trabalhos de vigilância epidemiológica. Apesar disso, a violência e a insegurança em diversas regiões do Congo têm dificultado o acesso das equipes médicas e comprometido a resposta sanitária.

“A situação do Ebola na RDC é profundamente preocupante”, afirmou Tedros, acrescentando que o conflito em áreas afetadas limita o trabalho das autoridades de saúde e dificulta o monitoramento da transmissão da doença.

Além do avanço do surto no Congo, a OMS também confirmou novos registros da doença em Uganda, país vizinho. Segundo Tedros, dois casos confirmados e uma morte foram identificados recentemente. Ainda assim, ele classificou a situação no território ugandense como estável, afirmando que não houve novos registros após os casos iniciais.

No último domingo (17), a OMS declarou oficialmente o surto como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”, o mais alto nível de alerta da entidade para crises sanitárias globais.

De acordo com o órgão das Nações Unidas, a elevada taxa de positividade nos exames e o crescimento acelerado de casos suspeitos indicam a possibilidade de uma epidemia muito maior em andamento no continente africano.

Tedros também destacou que esta foi a primeira vez que um diretor-geral da OMS declarou uma emergência sanitária desse porte antes mesmo da convocação formal do comitê internacional responsável pela avaliação da crise, reunião que ocorreu posteriormente na terça-feira (19).

O Ebola é uma doença viral grave e altamente contagiosa, transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. Em surtos anteriores, a doença provocou milhares de mortes em países africanos e mobilizou operações internacionais de saúde pública.


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