Autópsias revelam sinais de inanição e vestígios de estrangulamento nas vítimas

Marina Roveda Publicado em 13/07/2023, às 08h13
Subiu para 372 o número de mortos de uma seita cristãque jejuou até a morte em uma floresta no sul do Quênia na esperança de "ver Jesus Cristo". A informação foi confirmada nesta quarta-feira (12) pela polícia local. Segundo a comissária regional de polícia da costa queniana, Rhoda Onyancha, as escavações, reiniciadas na última segunda-feira, 10, depois de várias semanas paralisadas, ainda não foram concluídas, o que significa que o número de mortos pode aumentar nas próximas semanas.
As autoridades quenianas continuam abrindo valas comuns e sepulturas encontradas na floresta de Shakahola, no condado de Kilifi. A maioria dos corpos das vítimas do chamado "massacrede Shakahola" foram encontrados nessa floresta de mais de 320 hectares, enquanto apenas alguns morreram no hospital devido à gravidade de seu estado.
Em 27 de junho, o patologista do governo, Johansen Oduor, indicou que, dos 338 corpos examinados até o momento, 117 eram menores de idade e 201 adultos, enquanto 20 estavam em avançado estado de decomposição, tornando impossível determinar a idade. As autópsias realizadas até agora mostraram que todos os corpos apresentavam sinais de inanição, mas alguns deles, principalmente crianças, também apresentavam vestígios de estrangulamento e asfixia.
As primeiras investigações da polícia apontam que os fiéis eram obrigados a continuar jejuando mesmo que quisessem abandonar o ritual. Até o momento, pelo menos 37 suspeitos foram presos por envolvimento nas mortes, que chocaram o país.
O ministro do Interior do Quênia, Kithure Kindiki, culpou as forças de segurança e o sistema judiciário do país por negligência, alegando que não tomaram as medidas adequadas em resposta às queixas anteriores contra o suposto líder da seita, o pastor Paul Mackenzie.
O pastor, que está sob custódia da polícia desde 14 de abril, lidera a Good News International Church e já trabalhou como taxista no passado.
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