Mudanças climáticas na Antártida impulsionam rápido florescimento de plantas nativas

Marina Roveda Publicado em 01/10/2023, às 14h44
O capim antártico (Deschampsia antarctica) e a erva-perolada antártica (Colobanthus quitensis) têm experimentado um crescimento acelerado em áreas da Antártida, e isso está causando preocupações entre os cientistas. Esse aumento na proliferação dessas espécies nativas ocorreu em taxas muito mais elevadas a partir de 2009, superando todo o crescimento registrado nas cinco décadas anteriores. Esse fenômeno está ligado a mudanças climáticas na região e a uma misteriosa redução na população de focas, que ainda está sob investigação.
Os resultados de uma pesquisa conduzida na Ilha Signy, nas Ilhas Órcades do Sul, revelaram que o capim antártico se espalhou cinco vezes mais rapidamente entre 2009 e 2018 em comparação com o período de 1960 a 2009. Para a erva-perolada antártica, o aumento foi ainda mais surpreendente, quase dez vezes maior. Essas descobertas ressaltam a notável capacidade de adaptação dessas plantas a um período de crescimento extremamente curto e a condições climáticas adversas.
O principal impulsionador desse crescimento rápido é o aquecimento do ar durante o verão na Antártida. Na última década, o aumento da temperatura no verão passou de +0,02°C para +0,27°C anualmente. Além disso, a redução no número de focas, que costumavam pisotear as plantas, também contribuiu para esse fenômeno. A diminuição das focas pode estar relacionada a mudanças na disponibilidade de alimentos e nas condições do mar, embora sua causa ainda não seja completamente compreendida.
Os cientistas preveem que as tendências de aquecimento na Antártida continuarão, resultando na expansão de áreas livres de gelo nas próximas décadas. Essas descobertas indicam as mudanças significativas que estão ocorrendo na região polar e sinalizam a probabilidade de impactos mais amplos nos ecossistemas antárticos.
Embora o aumento dessas espécies nativas possa parecer positivo à primeira vista, ele também traz preocupações. A proliferação de espécies não nativas, como a Poa annua, ameaça a biodiversidade única da Antártida, causando perdas dramáticas. Além disso, as mudanças na vegetação terão efeitos em cascata em toda a biota dos ecossistemas terrestres, com implicações ainda não totalmente compreendidas.
Em resumo, o rápido florescimento dessas espécies nativas da Antártida alerta para as rápidas mudanças climáticas na região polar, com consequências potencialmente significativas para a biodiversidade e o equilíbrio ecológico.
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