Porta-voz do Fundo Monetário Internacional destaca superávit fiscal, redução da inflação e esforços sociais de Javier Milei

por Marina Milani
Publicado em 05/04/2024, às 08h35
Em meio aos primeiros meses de gestão de Javier Milei na presidência da Argentina, o Fundo Monetário Internacional (FMI) expressou elogios aos avanços econômicos alcançados pelo governo. Em declarações feitas nesta quinta-feira (4), uma porta-voz do FMI destacou o progresso "impressionante" registrado até o momento, ressaltando, no entanto, que o caminho para a estabilização econômica nunca é fácil.
"O progresso até agora tem sido impressionante", disse Julie Kozack, diretora de comunicações do Fundo.
Desde que assumiu o cargo em dezembro, Milei tem como objetivo atingir um déficit zero até 2024, adotando medidas consideradas "radicais" para cortar gastos. O apoio do FMI ao governo argentino é evidente, especialmente em relação ao plano de estabilização macroeconômica proposto, centrado em uma forte âncora fiscal e políticas para reduzir a inflação e reconstruir as reservas do país.
Os primeiros resultados dessas políticas já são perceptíveis, conforme destacado pela diretora de comunicações do FMI, Julie Kozack. Ela mencionou que janeiro e fevereiro registraram um superávit fiscal pela primeira vez em mais de uma década, além da reconstituição das reservas internacionais e uma queda mais rápida do que o previsto na inflação. Kozack também ressaltou a melhoria dos indicadores de mercado, como a variação cambial e o spread soberano.
"Janeiro e fevereiro registraram um superávit fiscal pela primeira vez em mais de uma década, as reservas internacionais estão sendo reconstituídas, a inflação está caindo mais rapidamente do que o previsto e os indicadores de mercado, como a variação cambial e o spread soberano, continuam melhorando", disse. O spread soberano é o custo do endividamento externo de um país.
Apesar dos avanços econômicos, o FMI enfatiza a importância de garantir apoio social e político para a eficácia e durabilidade das reformas em um país onde mais de 12 milhões de pessoas vivem na pobreza. Nesse sentido, o programa de subsídios para crianças e a proteção do valor real das pensões são citados como esforços recentes das autoridades para fortalecer a assistência social.
Mas "o caminho para a estabilização [econômica] nunca é fácil e requer uma implementação forte de políticas", acrescentou a porta-voz.
Enquanto isso, sindicatos do setor público protestam contra a demissão de quase 15 mil funcionários, evidenciando os desafios políticos e sociais enfrentados pelo governo de Milei. A reativação do programa de crédito de US$ 44 bilhões com o FMI também está em pauta, embora Julie Kozack tenha afirmado que é prematuro discutir as modalidades de um possível programa futuro neste momento.
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