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Guerra Comercial

EUA impõem tarifas elevadas sobre produtos tecnológicos chineses, incluindo veículos elétricos

Medida intensifica tensões comerciais e promete retaliação por parte da China

EUA impõem tarifas elevadas sobre produtos tecnológicos chineses, incluindo veículos elétricos - Imagem: Reprodução | YouTube / Screengrab
EUA impõem tarifas elevadas sobre produtos tecnológicos chineses, incluindo veículos elétricos - Imagem: Reprodução | YouTube / Screengrab

por Marina Milani

Publicado em 15/05/2024, às 07h53


Na terça-feira (14), os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de tarifas sobre produtos chineses ligados à tecnologia, escalando ainda mais as tensões na já complicada relação comercial entre as duas maiores economias do mundo. O aumento significativo nas tarifas afeta setores chave como veículos elétricos, semicondutores, células solares, aço e alumínio, e é justificado pelo governo americano como uma resposta a práticas comerciais consideradas injustas por parte da China.

Os novos ajustes tarifários anunciados pelos EUA são significativos e abrangentes. Confira as principais mudanças:

  • Veículos elétricos: tarifas aumentam de 25% para 100%.
  • Semicondutores: tarifas aumentam de 25% para 50% em 2025.
  • Células solares: tarifas aumentam de 25% para 50%.
  • Aço e alumínio: tarifas aumentam de 0%-7,5% para 25%.

Os Estados Unidos alegam que estas medidas são necessárias para proteger a segurança econômica do país, combatendo o que consideram práticas desleais da China que resultam em preços mais baixos para os produtos chineses e consequente perda de mercado para empresas americanas.

Em resposta, o Ministério do Comércio da China declarou forte oposição às novas tarifas e prometeu retaliações para proteger seus interesses. As autoridades chinesas acusam os Estados Unidos de adotarem uma postura protecionista que prejudica a cooperação econômica global.

As relações comerciais entre EUA e China têm sido marcadas por um déficit comercial significativo para os americanos. Em 2023, os EUA importaram aproximadamente US$ 427 bilhões em bens da China, enquanto suas exportações para o país asiático somaram apenas US$ 148 bilhões. Tentativas anteriores de equilibrar essa balança, como as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump, não conseguiram resolver a questão de forma satisfatória. Agora, o presidente Joe Biden mantém as tarifas de Trump e introduz novas, intensificando a disputa.

O impacto potencial dessas tarifas é amplo e complexo. Por um lado, há a intenção de proteger a indústria nacional e forçar a China a adotar práticas comerciais mais justas. Por outro lado, essas medidas podem resultar em preços mais altos para produtos importados, afetando negativamente consumidores e empresas americanas que dependem de componentes tecnológicos chineses.

Além disso, há preocupações sobre os objetivos climáticos e de emprego do governo Biden. O aumento dos custos de veículos elétricos e tecnologias sustentáveis pode dificultar os esforços para promover a energia limpa e a criação de empregos na indústria verde.

No cenário político, a decisão de Biden é estratégica. Com as eleições se aproximando, o presidente tenta demonstrar firmeza contra a China, ao mesmo tempo que luta para convencer os eleitores da eficácia de suas políticas econômicas. Apesar de um cenário de baixo desemprego e crescimento econômico acima da média, pesquisas recentes indicam uma vantagem de Donald Trump sobre Biden no que diz respeito à economia.

Katherine Tai, representante comercial dos EUA, defende as novas tarifas, alegando que são uma resposta necessária à contínua violação de propriedade intelectual americana pela China e que as tarifas anteriores mostraram eficácia em reduzir as importações chinesas e aumentar as de outros países.

A nova rodada de tarifas imposta pelos EUA sobre produtos tecnológicos chineses é mais um capítulo na prolongada guerra comercial entre os dois países. Com promessas de retaliação por parte da China, o conflito pode se intensificar ainda mais, trazendo consequências econômicas globais. Enquanto o governo americano busca proteger seus interesses econômicos e estratégicos, o impacto dessas medidas sobre consumidores, empresas e a economia global será observado com atenção nas próximas semanas e meses.

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