Reconhecimento gera reação de Israel, que convoca embaixadores dos três países para consultas

por Marina Milani
Publicado em 22/05/2024, às 10h32
Espanha, Irlanda e Noruega anunciaram nesta quarta-feira (22) a decisão de reconhecer a Palestina como Estado a partir de 28 de maio. Esta medida destaca a divisão existente na União Europeia (UE), que há anos tenta, sem sucesso, encontrar uma posição comum sobre o conflito israelo-palestino. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, declarou no Parlamento de Madri que os 27 Estados-membros da UE têm pedido um cessar-fogo em Gaza e reiterado seu apoio à solução de dois Estados, mas admitiu que essas ações não têm sido suficientes.
“Há muitos, muitos meses que pedimos um cessar-fogo em Gaza e reiteramos nosso apoio à solução de dois Estados, mas devemos ser sinceros e reconhecer que não é suficiente,” afirmou Sánchez. Ele, que vinha negociando com outras capitais europeias para tomar essa decisão, anunciou que Espanha, Irlanda e Noruega reconhecerão oficialmente o Estado palestino em 28 de maio. Em resposta, Israel convocou seus embaixadores nesses três países para consultas. “Chegou o momento de passar das palavras à ação, de dizer aos milhões de palestinos inocentes que sofrem que estamos com eles, que há esperança,” acrescentou Sánchez, acusando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de comprometer a solução de dois Estados com sua política de “dor e tanta destruição”.
O primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, também defendeu a solução de dois Estados como o “único caminho crível para a paz e a segurança, para Israel e a Palestina, e para os seus povos,” durante seu discurso em Dublin.
Os governos de Madri, Dublin e Oslo esperam que outros países europeus sigam seu exemplo. Em março, os líderes da Eslovênia e de Malta expressaram, em comunicado conjunto com Madri e Dublin, o desejo de adotar a mesma medida. A Eslovênia já anunciou um decreto nesse sentido, a ser submetido ao Parlamento em junho. Até agora, a Suécia era o único país membro da UE a reconhecer a Palestina, decisão tomada em 2014. Outros países como República Tcheca, Hungria, Polônia, Bulgária, Romênia e Chipre também reconheceram a Palestina antes de se juntarem ao bloco.
No entanto, a questão do reconhecimento da Palestina ainda divide a UE. O chefe da diplomacia francesa, Stéphane Séjourné, afirmou que o reconhecimento da Palestina "não é um tabu para a França", mas que "este não é o momento certo" para tal ação. A França considera que a decisão deve servir como uma ferramenta diplomática para a solução de dois Estados. A Alemanha também defende que o reconhecimento da Palestina deve ser resultado de negociações diretas entre as partes em conflito.
A iniciativa foi bem recebida pelo movimento islamista Hamas e pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que consideraram o momento como “histórico”. Em contrapartida, Israel afirmou que “não permanecerá calado” e advertiu sobre possíveis “consequências graves”. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, declarou que os embaixadores dos três países europeus serão convocados para uma advertência formal.
A Noruega, que desempenhou um papel fundamental no processo de paz no Oriente Médio nos anos 1990, hospedando as negociações que resultaram nos Acordos de Oslo, reafirma seu compromisso com a solução de dois Estados.
Contexto
A guerra em Gaza, que começou em 7 de outubro com um ataque sem precedentes do Hamas que matou mais de 1.170 pessoas, intensificou a violência na região. Desde então, mais de 35.000 palestinos, a maioria civis, morreram na Faixa de Gaza em bombardeios e operações militares israelenses, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
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