A região de Essequibo, com cerca de dois terços do atual território da Guiana, é alvo de disputa desde 1899

Marina Roveda Publicado em 01/12/2023, às 08h09
O Brasil aumentou sua presença militar na fronteira norte do país em meio às crescentes tensões entre a Venezuela e a Guiana. O reforço se dá em decorrência do referendo agendado para domingo (3) na Venezuela, onde os cidadãos votarão sobre os direitos do país sobre a região de Essequibo, disputada com a Guiana. O território, com cerca de dois terços do atual território da Guiana, é alvo de disputa desde 1899.
O Ministério da Defesa, em nota, informou que tem intensificado ações de defesa na região da fronteira norte, promovendo maior presença militar. A região em disputa, de 160 mil km², possui uma população de 120 mil pessoas e é estratégica, possuindo estimativas de bilhões de barris de petróleo.
A secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, expressou preocupação com a situação e destacou que o Brasil valoriza a paz na região. O governo brasileiro defende uma solução pelo diálogo, seja por meio de negociações bilaterais ou pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), que declarou ter jurisdição sobre o caso em abril deste ano.
Apesar de a Guiana ter entrado com uma liminar na CIJ para suspender o referendo, a Venezuela não reconhece a jurisdição da Corte nesse caso, evocando o Acordo de Genebra de 1966 como o único instrumento válido para resolver a controvérsia.
Em setembro, a Venezuela protestou contra licitações de petróleo realizadas pela Guiana, alegando que as áreas marítimas em disputa seriam exploradas por multinacionais, como Exxon Mobil e TotalEnergies.
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