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COLUNA

O valor do arrependimento

Aprofundamos a discussão sobre a influência de Robert Greene nos discursos de coaches evangélicos e suas implicações espirituais - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Aprofundamos a discussão sobre a influência de Robert Greene nos discursos de coaches evangélicos e suas implicações espirituais - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Marcelo Emerson

por Marcelo Emerson

Publicado em 23/01/2025, às 09h00


Fenômeno intrigante é a popularização do tal “coach” evangélico.

Sendo o Evangelho a Boa Nova trazida ao mundo por Jesus Cristo, o Deus que se fez homem; e considerando que os “coaches” são profissionais que auxiliam pessoas a atingir objetivos no mais das vezes mundanos, se seria possível o referido “mix”?

Seria possível conjugar a “pregação” de tais “coaches” fundada na ideia de itens de luxo, como carros, mansões, relógios, são sinais de bênçãos de um Deus que nos ensinou que “procurai antes as coisas do Reino de Deus e as demais se lhes acrescentarão”?

Como é que tais “coaches” concatenam o Sermão da Montanha com as “lições” que “lecionam” em seus cursos e livros?

O Mestre Jesus ensinou que são “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; os mansos, porque eles herdarão a terra; os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

Muitos desses “coaches” usam em seus discursos as lições do livro As 48 Leis do Poder, de Robert Greene. Vale esclarecer que Greene não endossa todas as regras expostas no livro e não se anuncia como “coach” evangélico. Tomo o seu texto como base aqui porque identifico semelhanças entre as regras de seu livro e os discursos de alguns “coaches” que se dizem evangélicos.

Proponho pegarmos como exemplo a questão do arrependimento, que é um valor central da vida cristã. Green propõe a seguinte regra: “Mantenha as mãos limpas. Faça os outros de joguete e bode expiatório para manter sua aparência impecável”.

Tal regra se coaduna com a Boa Nova de Cristo? Desde o livro de Gênesis o arrependimento é central. Adão e Eva trazem o pecado original para a humanidade e, ato contínuo, são questionados por Deus. Era a chance do arrependimento sincero, mas Adão prefere apenas apontar a culpa de Eva (“A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore e comi” – Gên 3:12).

Deus questiona a razão para Eva ter agido assim, e a primeira mulher joga a responsabilidade para a serpente (“A serpente me enganou e eu comi”). Era a chance de uma confissão franca diante do Criador. Eles preferiram agir à lá Robert Greene, em sua Lei n. 26: “Suas mãos não se sujam com erros e atos desagradáveis”.

E a história não para por aí. Adão e Eva têm dois filhos, Caim e Abel. O primeiro lavrador, ofertava a Deus o fruto da terra; o outro pastor de ovelhas, oferecia dos primogênitos de suas ovelhas. Deus se agradava da oferta de Abel, não porque preferia ovelhas em detrimento de vegetais, mas porque só Abel fazia o bem. Enciumado e irado, Caim comete o primeiro fratricídio da história.

Mais uma vez, a chance do arrependimento, Deus pergunta: “Caim, onde está Abel”? Obviamente que o Deus onisciente sabia de tudo (“a voz do sangue do teu irmão clama desde a terra”), mas dava a chance de confissão para Caim, que resolveu debochar do Senhor: “Sou eu guardador do meu irmão”? Não foi algo parecido com a Lei n. 26 de Greene? Vejamos: “...fazendo os outros de joguete [...] para disfarçar a sua participação?"

Deu no que deu. Caim “saiu da face do Senhor” e sua vida foi repleta de provações (Gên 4:11 e ss.).

Neste ponto, especificamente sobre arrependimento, Jesus conclama: “Arrependam-se, porque é chegado o Reino dos céus” (Mateus 4:17).

Escolhi para esta coluna apenas uma breve reflexão sobre o arrependimento. A quem você escolhe seguir, a Cristo ou aos “coaches” [que se dizem] evangélicos?


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