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COLUNA

Música cristã que merece sua atenção

A banda piauiense Seventh Sign from Heaven mistura heavy metal tradicional com letras inspiradas na Bíblia, destacando-se no cenário musical. - Imagem: Divulgação / "Seventh Sign from Heaven"
A banda piauiense Seventh Sign from Heaven mistura heavy metal tradicional com letras inspiradas na Bíblia, destacando-se no cenário musical. - Imagem: Divulgação / "Seventh Sign from Heaven"
Marcelo Emerson

por Marcelo Emerson

Publicado em 20/02/2025, às 08h10


O heavy metal nasceu nas regiões industriais do interior da Inglaterra entre as décadas de 60 e 70. No início, o estilo era influenciado pelos traços culturais de grande parte da juventude ocidental. Timbres distorcidos de guitarra, vocais em tons altos, bateria e baixo tocados com muita intensidade e muito (mas muito mesmo) volume.

No começo, as letras sofriam influência da atmosfera hippie de então. Mesmo em bandas que negam tal influência, isso é evidente. As letras tratavam de revoluções morais, revolta social e ocultismo.

Com o passar dos anos, o heavy metal assimilou amplos leques musicais e líricos. Uma das vertentes mais interessantes do estilo é o heavy metal cristão. O traço que o distingue dos demais sub-gêneros está nas letras que, ao contrário dos temas que estavam na origem do estilo, abordam temas bíblicos.

Nesta coluna, trago ao caro leitor uma sugestão de banda de heavy metal que aborda em suas letras temas bíblicos, sobretudo aos que se referem ao Evangelho. Trata-se da banda “Seventh Sign from Heaven”.

Criada na cidade de Picos, no Piauí, em outubro de 2016, a banda conta em sua formação com Mark Neiva (vocal e guitarra), Filhin Nascimento (bateria), Zinha Soares (baixo) e Emanuel Lima (guitarra).

Com poucos anos de experiência, a banda viajou para São Paulo a fim de gravar o primeiro álbum com o produtor Thiago Bianchi. O resultado foi o álbum “The Woman and the Dragon”.

As 10 faixas do álbum são realmente muito boas. As principais referências musicais são os grandes nomes do heavy metal, como Iron Maiden, Judas Priest, Saxon, Accept, Metallica, Motörhead e Diamond Head.

Logo nas primeiras audições, já é possível perceber uma banda competente na proposta que pretende entregar. Os compositores têm ideias criativas dentro dos padrões do estilo. A execução das músicas é competente. Os músicos tocam com “punch” e o vocalista cumpre bem o seu papel. Tudo isso considerando que é o álbum de estreia da banda.

A música de abertura do disco é a ótima “Stayed in the Dark”, seguida pela faixa “Rise”, que foi utilizada como “single” na época do lançamento. A escolha foi acertada, pois reúne os já mencionados melhores elementos do disco como um todo.

“The Devil Fears Your Name” vem na sequência e o disco fica nivelado por cima, pois se trata de um heavy metal tradicional com muita pegada.

A faixa-título evidencia as influências de Iron Maiden e Judas Priest. Destaque para a letra, que fala de uma passagem do livro bíblico de Apocalipse.

Há momentos mais calmos, como na balada “Pain in your Eyes” e nas épicas “The Fall of Babylon (Apocalipse 19) e “Paid on the Cross”, que trata da crucificação de Cristo, que deve ser tema central na vida de todo e qualquer cristão.

Como ponto a ser aperfeiçoado, vale mencionar a necessidade de desenvolvimento em alguns momentos dos vocais. A tentativa de emular vocais mais épicos em “Judgement of Egypt” soou um pouco “over”. Menciono também a necessidade de aprimoramento na pronúncia do inglês (particularmente, não me importo com isso, pois entendo que sotaque pode ser até traço de identidade, mas se a banda quer atingir mercado internacional, deve se preocupar com isso), embora não seja algo que comprometa a qualidade do álbum como um todo.

Torço para que a banda “Seventh Sign from Heaven” tenha vindo para ficar no cenário da música pesada, pois é salutar que haja artistas abordando temas evangélicos num mundo que jaz no maligno, com tanto lixo nas letras de muitos artistas populares.

O heavy metal se originou falando de ocultismo, mas hoje é veículo de propagação do Evangelho, concretizando o que o apóstolo Paulo asseverou quando disse: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns”.


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