
por Marcelo Emerson
Publicado em 09/10/2025, às 08h00
Desde os levantes estudantis de maio de 1968, em Paris, o Ocidente presencia um movimento de erosão simbólica das instituições tradicionais. Sob o calor das barricadas e dos desvarios revolucionários, floresceu uma geração de intelectuais tentaram a todo custo reinventar o papel do Estado e de suas estruturas de autoridade. Entre eles, Foucault e Derrida tiveram influência decisiva: o primeiro tinha delírios intelectuais e via opressão em tudo. A sua vida particular regada a drogas ilícitas e comportamento sexual promíscuo pode ser uma pista para encontrarmos a razão para sua rejeição a qualquer coisa que possa ser chamada de ordem; o segundo propôs a “desconstrução” de todas as simbologias e das hierarquias, para ele, ordem é sinônimo de opressão. Para ambos, o rabo é que abana o cachorro.
Essas ideias, inicialmente confinadas às universidades, transbordaram para a política e moldaram o pensamento da chamada “nova esquerda”. A partir dessa matriz, consolidou-se a visão de que o Estado é essencialmente violento. A polícia, em particular, passou a ser vista como o braço visível dessa violência, um inimigo simbólico a ser combatido. Eles fecharam os olhos para a pura realidade: que a Polícia Militar garante direitos fundamentais como a vida, a integridade física, a propriedade, a liberdade, dentre outros.
No Brasil, essa leitura encontrou terreno fértil após o período dos governos militares. Setores dessa corrente intelectual passaram a enxergar a Polícia Militar não como uma instituição necessária à segurança pública, mas como agente de autoritarismo. A narrativa ignora, contudo, que a função policial é essencial à preservação da própria democracia: sem ordem, não há espaço para o exercício legítimo das liberdades.
Amaury Prokisch, veterano da respeitada ROTA, esclarece que: “A esquerda sempre foi contra a instituição Polícia Militar desde a época em que o nosso país tinha seus íntegros militares das forças armadas no governo federal. Era um Brasil em que o povo em geral tinha respeito pelas instituições”.
Prokisch serviu na ativa por mais de duas décadas na unidade de elite da Polícia Militar de São Paulo, a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). E, atualmente, junto com o Major Edson Miguel e outros irmãos de farda, está à frente do grupo Veteranos de ROTA, que mantém vivos os valores de disciplina, coragem, lealdade, excelência e pronta-resposta contra a criminalidade.
A “desconstrução” da Polícia Militar não é apenas um debate acadêmico, é um projeto político de enfraquecimento simbólico da autoridade, que tem consequências práticas. Quando o policial é constantemente tratado como inimigo, o resultado é o isolamento institucional, o desestímulo dos que arriscam a vida para proteger o cidadão comum e o aumento da criminalidade (esse sim um fator de opressão do povo).
É legítimo discutir abusos e exigir profissionalismo, mas transformar toda a corporação em bode expiatório de teorias forjadas por intelectualóides estrangeiros é uma desonestidade intelectual e uma injustiça contra a sociedade. A esquerda, ao insistir nesse antagonismo, distancia-se da realidade cotidiana das ruas e aproxima-se perigosamente da utopia ingênua de que a segurança pode existir sem quem a garanta.
Atacar a polícia como instituição é, em última instância, destruir a própria noção de Estado. E uma sociedade que enfraquece simbolicamente seus guardiões está, na prática, erguendo as bases da sua própria vulnerabilidade.
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