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De Olho na Cidade

Os guardiões do centro e o possível fim do Minhocão

Minhocão - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Rovena Rosa
Minhocão - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Rovena Rosa
Fábio Behrend

por Fábio Behrend

Publicado em 31/10/2025, às 09h51


A cara do centro de São Paulo mudou muito. Depois de um ano fora da cidade que amo por questões profissionais, posso dizer com convicção: o centro de São Paulo está muito melhor, mais seguro, mais movimentado, mais limpo, ainda mais plural. Não me lembro de uma gestão que tenha encarado os principais problemas de frente, com vontade política e disposição para debater, ouvir críticas e buscar consensos, como a atual. Sem deixar de fora os méritos do saudoso Bruno Covas e dos ex-secretários Alexandre Modonezi (Subprefeituras) e Cesar Azevedo (Gestão e, depois, Urbanismo e Licenciamento), que criaram um arcabouço legal e técnico para as mudanças que estão acontecendo, os guardiões do centro da cidade escolhidos pelo prefeito Ricardo Nunes têm desempenhado papel fundamental na revitalização da região mais importante, charmosa e problemática da cidade. Conversei com os três durante a última semana.

Fabrício Cobra

Fabrício foi secretário de Gestão e da Casa Civil antes de assumir a pasta que é considerada “a grande bucha” da gestão, a das Subprefeituras. Discreto, comedido e bom de diálogo, Cobra destaca três pontos como sendo cruciais na grande mudança pela qual o centro tem passado. Primeiro é a legislação, com a aprovação do PIU Central e da Lei do Retrofit. Depois a limpeza urbana, que agora funciona 24 horas no centro. E a segurança pública, com o território ocupado por agentes de segurança. “Dos 2 mil novos GCMs, 1.200 estão no centro. O Smart Sampa, com 3,5 mil câmeras à serviço da Segurança Pública no centro e a operação delegada, que agora está atrativa. Eram 300 vagas no centro, mas com valor baixo, os policiais não queriam. Foram dois projetos enviados à Câmara Municipal para aumentar o valor e as 300 vagas que existiam e não eram ocupadas, agora viraram 1.500, todas ocupadas” afirma Fabrício.

Bete França

Arquiteta, urbanista, professora da FAAP e fã declarada de Jaime Lerner, Bete França, secretária de Urbanismo e Licenciamento, afirma que a cidade vive um grande momento para quem deseja investir no centro. Segunda ela, a nova geração de empresários do setor imobiliário enxergou no movimento de recuperação do centro e nos incentivos fiscais uma grande oportunidade de negócios. Bete destaca a desburocratização como fundamental no processo de recuperação da região. “Estamos caminhando para que seja autodeclaratório. Antes era necessário a assinatura de todos os condôminos para receber incentivos de restauro. Hoje basta a assinatura do síndico, que se responsabiliza legalmente pelo condomínio. O Copan, por exemplo, só foi contemplado na terceira rodada de subvenções por conta de uma portaria que publicamos nesse sentido. E vem mais por aí”, comemora.

Pedro Martin Fernandes

Arquiteto e Urbanista formado pela USP e com mestrado em Gestão e Políticas Públicas pela FGV, o jovem Pedro Martins Fernandes, de 30 anos, é presidente da SP Urbanismo, empresa responsável pelo planejamento da cidade. Além de estar a frente da futura remodelação do Parque Dom Pedro e do VLT, que vai fazer uma nova ligação entre o centro e a zona leste, assuntos que abordaremos com mais detalhes nas próximas colunas, Pedro também está conduzindo uma das mais polêmicas questões urbanas de São Paulo: o minhocão. Ele lembra que o STF decidiu que o artigo da lei que prevê a desativação do mostrengo que sufoca a Avenida São João até 2029 continua válido. “Agora são duas possibilidades – ou vira um parque ou é desmontado. Como arquiteto sou a favor de demolir, mas essa decisão não é simples. Há uma série de argumentos a favor da criação do parque e a favor da demolição. A questão é o que está embaixo do minhocão. Tem a questão da geração de resíduos numa eventual demolição. Tem a questão da população local que se apegou ao minhocão também. Estamos criando os caminhos, que passam necessariamente por um profundo e amplo debate. Acredito que no ano que vem tenhamos mais clareza sobre o Minhocão. Mas, por enquanto, será desativado como prevê a legislação”.

Vamos acompanhar de perto essa discussão aqui na coluna. E você, o que acha? O Minhocão deve virar parque ou ser demolido?


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