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De Olho na Cidade

Bate bola com o presidente da Câmara Municipal e o departamento marcha lenta

Câmara Municipal dos Deputados - Imagem: Divulgação / CMSP
Câmara Municipal dos Deputados - Imagem: Divulgação / CMSP
Fábio Behrend

por Fábio Behrend

Publicado em 15/08/2025, às 08h47


Ricardo Teixeira foi secretário municipal de Mobilidade e Trânsito, Verde e Meio Ambiente e Subprefeituras. Engenheiro, fez carreira nas áreas de trânsito e transporte, com passagens pela CET, EMTU, DERSA e DER. No sexto mandato de vereador, Teixeira já entendeu que controlar os ânimos dos 54 colegas de legislativo é tão difícil quando ordenar o trânsito da maior cidade do Brasil.

Qual sua principal missão como presidente da Câmara Municipal?

Ricardo Teixeira: A primeira missão é manter a paz, né? Você conhece a turbulência da casa, a cidade de São Paulo pulsa, ela é viva, são 12 milhões de pessoas representadas pelos 55 vereadores que estão aqui. Cada um pensa diferente um do outro. Não é fácil, mas está dando certo.

E quais os principais projetos para o segundo semestre?

Ricardo Teixeira: Nós temos grandes projetos pra votar pela cidade. Já estão aqui, por exemplo, o Procon Municipal, a bonificação para o GCM que apreender motos roubadas, o aumento das multas para fios soltos nos postes da cidade e para quem colar lambe-lambes, além de 250 projetos de vereadores prontos para votação.

E na questão urbanística?

Ricardo Teixeira: A revisão da Lei de Zoneamento na região do Butantan é outra prioridade da casa, para viabilizar a construção das novas fábricas de vacinas. É como eu sempre digo, tudo o que é bom para a cidade, passa pela Câmara Municipal.

A Lei Cidade Limpa corre riscos com a flexibilização? Não seria mais correto delimitar uma área específica que pudesse ser transformada numa espécie de “Times Square” paulistana, como quer o prefeito?

Ricardo Teixeira: Eu acho que sim. A Lei Cidade Limpa tem 20 anos, precisa de uma revisão. Pegar uma avenida, um cruzamento para São Paulo ter a nossa Times Square é necessário. Eu defendo o centro da cidade. Você passa perto de onde era a Cracolândia tem imóveis vazios, invadidos, imóveis à venda. Se você permitir que uma rua, cruzamento ou quarteirão tenha uma visibilidade diferente, você vai atrair novos negócios, restaurantes, teatro, você vai dar vida para a região. Mas não avenidas inteiras, que seja uma coisa muito localizada para transformar.

E a publicidade em prédios, não acabaria com a Lei Cidade Limpa?

Ricardo Teixeira: Como nas grandes cidades do mundo, uma área pública que precisa passar por restauro, por manutenção, durante a reforma você envelopa esse prédio com publicidade para ajudar a financiar a obra. Acabou, tira. Isso pode ser discutido. A Lei Cidade Limpa é uma conquista de São Paulo, mas precisa ser atualizada.

Ponto morto

Em fevereiro do ano passado trouxemos aqui as reclamações de dois segmentos sobre o Detran. Primeiro foram os donos de guinchos, pátios de recolhimento e leiloeiros, em crise financeira com a suspensão dos leilões de veículos apreendidos. Foram apenas 8 nos últimos dois anos, quando a média anual no estado era de 300. Logo depois foi a vez de Abrão Dib, da ANAPCD, relatar que milhares de isenções de IPVA estavam sendo negadas a pessoas com deficiência. Segundo ele, atualmente, além da recusa quase sistemática em conceder o benefício previsto em lei, agora PCD ́s sofrem também com a dificuldade de tirar ou renovar a carteira de habilitação.

Falta de condições de trabalho

Agora é a vez dos psicólogos peritos credenciados pelo Detran reclamarem. Segundo o Sindicato dos Psicólogos, as condições de trabalho nos postos do Poupa Tempo são inadequadas, a divisão equitativa de exames não é respeitada, a plataforma utilizada tem problemas e clínicas de perícia com o mesmo proprietário têm se proliferado no estado, o que é ilegal. Cristiane Carneiro, diretora do sindicato, afirmou em audiência pública na Assembleia Legislativa que os psicólogos peritos estão sendo assediados pelos donos das clínicas. “A gente não pode se tornar um comércio. Somos profissionais de saúde credenciados pelo Detran para resguardar a segurança no trânsito. E isso não está acontecendo”.


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