Presidente cita ambiente político tenso da época e afirma que o país agora reúne condições mais favoráveis para receber grandes eventos esportivos

Lívia Gennari Publicado em 26/02/2026, às 19h15 - Atualizado às 20h00
O Palácio do Planalto recebeu, nesta quinta-feira (26), o troféu oficial da Copa do Mundo FIFA 2026. A cerimônia, acompanhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Esporte, André Fufuca, integrou o tour internacional organizado pela FIFA, que levará a taça a 30 países em 75 paradas antes do início do torneio na América do Norte.
O Brasil foi um dos oito destinos latino-americanos incluídos nesta rota. Antes de chegar ao país, a taça passou por Guatemala, Argentina, Equador, Honduras e Uruguai. Em território brasileiro, já havia sido exibida em São Pauloe Rio de Janeiro, antes da visita à capital federal. Após a visita nacional, seguirá para o México, um dos países-sede do Mundial de 2026, onde permanecerá em exposição até 22 de março.
Durante o evento, Lula destacou a expectativa para a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no Brasil, e afirmou que o torneio deve ajudar o país a superar a memória amarga deixada pela Copa do Mundo FIFA 2014. O presidente relembrou a goleada sofrida pela Seleção Brasileira diante da Seleção da Alemanha, por 7 a 1, nas semifinais, e argumentou que o episódio refletiu mais o ambiente político tenso da época do que o desempenho dos atletas.
“Nós temos que nos redimir com o que aconteceu em 2014, foi um vexame. E não foi um vexame dos jogadores. O Brasil vivia um momento muito delicado, um momento muito irritante", afirmou.
Segundo ele, o país chegou ao Mundial de 2014 tomado por disputas internas, acusações e narrativas que, posteriormente, não encontraram respaldo em investigações oficiais. Lula mencionou que o Tribunal de Contas da União analisou os contratos relacionados às arenas e não identificou irregularidades nos estádios construídos para o evento.
"Começava naquele momento a quantidade de mentiras inesquecíveis sobre a corrupção na Copa do Mundo. E depois de todas as denúncias, o TCU chega à conclusão que não houve corrupção em nenhum estádio que estava sendo construído. Mas passou a ideia para a sociedade de que aquilo tinha sido um antro de corrupção. Não havia clima sequer para jogar futebol. É a única explicação que eu tenho para aquele banho que tomamos da Alemanha“, declarou Lula.
O presidente afirmou ainda que, ao contrário daquele período, o Brasil vive atualmente um contexto mais estável, com avanços econômicos e sociais que, segundo ele, favorecem a preparação para receber o Mundial Feminino. Ele defendeu maior reconhecimento ao futebol praticado por mulheres e criticou episódios de hostilidade registrados em 2014, como as vaias dirigidas à então presidente Dilma Rousseff, na abertura da competição.
Com a passagem do troféu pelo Planalto, o governo federal buscou reforçar o simbolismo do país dentro do cenário esportivo internacional e marcar o início de um ciclo que, para Lula, pode representar uma virada de página no contexto nacional sobre grandes eventos esportivos.
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