Desgaste político, crise interna e questões de saúde pesaram na decisão; Rafinha surge como nome bem avaliado para assumir a coordenação de futebol.

Ana Beatriz Publicado em 23/01/2026, às 16h32
O São Paulo se prepara para mais uma mudança significativa em meio à maior crise política recente do clube. Muricy Ramalho decidiu deixar o cargo de coordenador de futebol e já comunicou oficialmente sua decisão à diretoria. A saída deve ser formalizada nos próximos dias e marca o fim de um ciclo iniciado em janeiro de 2021, durante o primeiro mandato do então presidente Júlio Casares.

A decisão de Muricy ocorre em um momento de instabilidade institucional, agravado pela renúncia de Casares após o processo de impeachment. O ex-treinador, hoje dirigente, vinha demonstrando insatisfação com os rumos políticos do clube e com o desempenho esportivo da equipe, cenário que aumentou o desgaste interno ao longo dos últimos meses.
A informação de que Muricy avaliava deixar o cargo já havia sido antecipada há duas semanas, mas a definição veio nesta sexta-feira, 23, quando ele comunicou pessoalmente sua decisão ao presidente interino Harry Massis. O vínculo do dirigente tinha validade até o fim deste ano, após ter sido renovado na reeleição de Casares, em 2023.
Além do contexto político, pesaram na decisão os problemas de saúde enfrentados por Muricy. Ele está afastado desde dezembro, após passar por uma cirurgia no joelho esquerdo, e ainda terá de ser submetido a um novo procedimento no joelho direito. Pessoas próximas ao dirigente indicam que o receio de um desgaste emocional maior e o cuidado com sua imagem junto à torcida foram determinantes para a saída.
Identificado historicamente com o São Paulo, Muricy deixa o cargo tentando preservar o legado construído dentro e fora de campo, em um momento em que o clube vive forte pressão interna e externa.
Rafinha ganha força nos bastidores
Com a iminente saída de Muricy, o nome de Rafinha surge como um dos mais bem avaliados internamente para assumir a coordenação de futebol. O ex-lateral, de 40 anos, encerrou recentemente sua carreira como jogador e já vinha manifestando interesse em seguir no futebol fora das quatro linhas.
Em entrevistas recentes, Rafinha afirmou ter recebido propostas para iniciar uma nova trajetória profissional e destacou seu perfil de liderança, a experiência adquirida no futebol europeu e a facilidade de comunicação com atletas. Capitão durante grande parte de sua passagem pelo São Paulo, ele teve papel relevante na conquista da Copa do Brasil de 2023, título que encerrou um longo jejum do clube.
Embora nenhuma definição tenha sido oficializada, a diretoria avalia o nome de Rafinha como uma opção alinhada à necessidade de reconstrução interna e de aproximação com o elenco em um período de transição delicado.
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