Discussão no Conselho Deliberativo marcou votação do orçamento de 2026, com críticas duras à gestão e embate sobre a possibilidade de um terceiro mandato.

Ana Beatriz Publicado em 17/12/2025, às 14h27
A reunião do Conselho Deliberativo do Palmeiras, realizada na noite da última quarta-feira (17) para discutir e votar o orçamento do clube para a temporada de 2026, foi marcada por um confronto direto entre a presidente Leila Pereira e o conselheiro José Corona Netto. O encontro, que tinha como pauta principal as contas do próximo ano, acabou dominado por acusações, troca de declarações duras e debate sobre o futuro político da atual gestão.
Durante a reunião, Corona pediu a palavra para criticar o trabalho de Leila à frente do clube. O conselheiro questionou os altos investimentos em contratações, que, segundo ele, não se refletiram em resultados esportivos. Na avaliação apresentada, o Palmeiras encerrou a temporada sem títulos relevantes, acumulando três vice-campeonatos, apesar de ter gasto valores elevados no mercado. Corona afirmou que a presidente “não entende de futebol” e também atacou o diretor de futebol, Anderson Barros, classificando a gestão como “perdulária” e “incompetente”.
Trechos da discussão foram divulgados pelo jornalista Fredy Junior em seu canal no YouTube. Nas falas, o conselheiro atribuiu o sucesso recente do clube a administrações anteriores e afirmou que o atual elenco não justificaria os cerca de R$ 700 milhões investidos em jogadores, além de valores adicionais com salários e luvas. Ele também mencionou que o debate sobre um possível terceiro mandato de Leila seria “imoral” e chegou a classificar a movimentação como uma tentativa de “golpe”.
Após as críticas, Leila Pereira rebateu de forma contundente. A presidente demonstrou irritação ao afirmar que o conselheiro deixou a reunião sem ouvir sua resposta e disse que se sentiu pessoalmente ofendida. Em tom duro, ela afirmou que não aceitará desrespeito e que pode recorrer à Justiça caso ataques semelhantes se repitam.
Leila defendeu sua gestão, destacando que faz parte do período mais vitorioso da história do Palmeiras e lembrou das dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube antes da chegada da Crefisa como patrocinadora. Segundo ela, a empresa não “descobriu” o Palmeiras, mas passou a investir quando o clube enfrentava sérios problemas financeiros. A presidente também reforçou que ocupa o cargo por ter sido eleita pela maioria dos associados.
Sobre a possibilidade de um terceiro mandato, Leila negou qualquer irregularidade. Ela afirmou que a discussão não partiu de sua iniciativa e ressaltou que o estatuto do clube prevê alterações, como já ocorreu em gestões anteriores sem contestação. Para que volte a se candidatar, a presidente depende da aprovação de mudanças estatutárias pelo Conselho Deliberativo e, posteriormente, pelos associados.
O episódio expôs o clima de tensão política nos bastidores do Palmeiras e antecipou um debate que deve se intensificar nos próximos meses, à medida que o clube discute não apenas o orçamento, mas também os rumos de sua governança.
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