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Racismo

França abre investigação contra senadora do Paraguai por ataques racistas a Mbappé

Parlamentar é alvo de inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio depois de publicar ataques ao atacante francês nas redes sociais; governo do Paraguai condenou as declarações

Parlamentar publicou mensagens ofensivas após a eliminação do Paraguai e agora é investigada por crimes de ódio na França - Imagem: Reprodução/Getty Images/Congresso do Paraguai
Parlamentar publicou mensagens ofensivas após a eliminação do Paraguai e agora é investigada por crimes de ódio na França - Imagem: Reprodução/Getty Images/Congresso do Paraguai

Julio Cezar Souza Publicado em 08/07/2026, às 09h50 - Atualizado às 10h15


A Procuradoria de Paris abriu um inquérito para investigar a senadora paraguaia Celeste Amarilla por suspeita de injúria agravada e incitação ao ódio ou à violência após declarações racistas direcionadas ao atacante Kylian Mbappé. As ofensas foram publicadas nas redes sociais depois da vitória da França por 1 a 0 sobre o Paraguai, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Segundo a Procuradoria francesa, a investigação foi iniciada na terça-feira (7), após uma denúncia encaminhada pela Federação Francesa de Futebol (FFF) à unidade nacional responsável pelo combate aos crimes de ódio praticados na internet.

As publicações de Amarilla continham comentários ofensivos relacionados à origem, à aparência e à identidade do capitão da seleção francesa, autor do gol que garantiu a classificação da equipe às quartas de final do Mundial.

Em resposta, Mbappé criticou duramente a parlamentar em publicação nas redes sociais. O atacante classificou a senadora como "mulher desprezível" e afirmou que ela é "indigna" de ocupar um cargo no Congresso paraguaio. O jogador também declarou que as declarações acabaram desviando a atenção da campanha realizada pela seleção do Paraguai na competição.

A Procuradoria informou que os comentários investigados podem configurar crimes motivados por origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião, infrações que, pela legislação francesa, podem resultar em pena de até um ano de prisão e multa de 45 mil euros.

Após a repercussão internacional do caso, Celeste Amarilla publicou uma carta aberta em francês e espanhol direcionada ao atacante. No texto, afirmou que se arrependeu das ofensas e disse ter apagado a publicação ao perceber que reproduzia o mesmo tipo de discriminação que afirma sofrer por ser negra e latino-americana.

Apesar do pedido de desculpas parcial, a senadora cobrou uma retratação pública de Mbappé, acusando o jogador de violência de gênero e afirmando que poderá recorrer à Justiça caso ele não se manifeste.

O governo do Paraguai também se pronunciou sobre o episódio. Em nota divulgada na segunda-feira (6), repudiou as declarações da parlamentar e afirmou que elas contrariam os princípios de respeito à dignidade humana e à convivência pacífica defendidos pelo país.

A Federação Francesa de Futebol classificou as mensagens como "absolutamente abomináveis" e "inaceitáveis", confirmando que levaria o caso às autoridades francesas.

A manifestação de apoio ao camisa 10 francês também partiu de integrantes do governo da França. O presidente Emmanuel Macron afirmou que Mbappé conta com o respaldo do país, enquanto a ministra dos Esportes, Marina Ferrari, declarou que os ataques ao jogador atingem valores fundamentais da sociedade francesa, como liberdade, igualdade e fraternidade.

Dentro de campo, a França segue na disputa pelo título mundial. Após eliminar o Paraguai, a seleção enfrentará Marrocos nesta quinta-feira, às 17h (horário de Brasília), pelas quartas de final da competição.


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