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Cerimônia abre Olimpíadas de Tóquio sem público

A pandemia do coronavírus dará um tom atípico à festa. Com os portões fechados ao público, o evento terá limitação de atletas por delegação. Nesta

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Redação Publicado em 23/07/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h15


A pandemia do coronavírus dará um tom atípico à festa. Com os portões fechados ao público, o evento terá limitação de atletas por delegação. Nesta sexta-feira, dia 23, a partir de 8h (horário de Brasília), a Cerimônia de Abertura dará início à maior competição esportiva do planeta em condições adversas, mas ainda com a intenção de celebrar a união e a paz entre os mais diferentes povos e culturas. A TV Globo e o SporTV vão transmitir o evento ao vivo, e o ge acompanha tudo em tempo real.

O Brasil, por exemplo, terá apenas quatro representantes na cerimônia: Ketleyn Quadros e Bruninho, porta-bandeiras; Marco Antônio La Porta, chefe de missão; e um funcionário administrativo do COB, seguindo o número mínimo exigido pelo COI. De acordo com a tradição, a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio será composta pela programação artística – sempre mantida em sigilo -, o desfile das delegações, o acendimento da pira olímpica, e a liberação simbólica das pombas da paz.

Coreógrafo fala de expectativa para a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio

Coreógrafo fala de expectativa para a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio

Confira abaixo algumas informações para acompanhar a cerimônia de abertura:

Onde será realizada a cerimônia de abertura?

Estádio Olímpico de Tóquio recebe a cerimônia de abertura e também de encerramento dos Jogos — Foto: Carl Court/Getty Images

Estádio Olímpico de Tóquio recebe a cerimônia de abertura e também de encerramento dos Jogos — Foto: Carl Court/Getty Images

O Estádio Olímpico será o palco da cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio na sexta-feira, e foi inaugurado em dezembro de 2019 em meio a uma série de críticas pelo custo que chegou a US$ 1,5 bilhão, mais de R$ 5 bilhões na cotação da época. O antigo estádio no mesmo local foi demolido para a reconstrução de um novo.

A capacidade do Estádio Olímpico é para 68 mil pessoas, mas não contará com a presença do público por conta da pandemia da Covid-19. No entanto, além dos artistas e produção envolvidos no espetáculo, haverá um grupo de cerca de mil diplomatas, dirigentes estrangeiros, patrocinadores e membros do Comitê Olímpico Internacional.

Localizado no centro de Tóquio, o Estádio Olímpico apresenta um formato oval, com design de treliça de madeira que evoca os estilos tradicionais que aparecem nos santuários japoneses. O telhado é de madeira e aço. O estádio pretende se misturar com o parque que o circunda e “restaurar a ligação que Tóquio perdeu com a natureza”.

Horas antes do início da cerimônia, ainda que o público esteja vetado no estádio, muitos japoneses foram ao local, ocupando todo o entorno.

Pessoas no entorno do Estádio Olímpico — Foto: Paulo Conde

Pessoas no entorno do Estádio Olímpico — Foto: Paulo Conde

Mudanças

A cerimônia seguirá um padrão diferente ao usual. A festa vai adotar o alfabeto japonês como guia, alterando a ordem dos países apresentados. O Brasil, por exemplo, deverá ser o 151° país a entrar no estádio de Tóquio. Há a expectativa de que a maioria dos países mande poucos atletas à cerimônia para evitar os riscos de contágio por coronavírus.

Quem planejou a cerimônia de abertura?

Marco Balich é o produtor executivo da cerimônia após duas mudanças na liderança depois do adiamento dos Jogos — Foto: Chris Graythen/Getty Images

Marco Balich é o produtor executivo da cerimônia após duas mudanças na liderança depois do adiamento dos Jogos — Foto: Chris Graythen/Getty Images

Uma série de mudanças aconteceu na equipe criativa da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio por conta do adiamento do evento em um ano. Em dezembro de 2020, o time de sete pessoas antes comandado pelo renomado ator japonês Mansai Nomura agora deu lugar a Hiroshi Sasaki.

Sasaki ajudou a produzir a cerimônia de passagem de bastão dos Jogos do Rio-2016 para os Jogos de Tóquio, marcada pela aparição do então primeiro-ministro japonês Shinzo Abe como o personagem dos videogames Mario Bros. Mas a trajetória de Sasaki durou pouco. Ele renunciou ao cargo menos de três meses depois, após grande pressão popular depois de fazer um comentário gordofóbico sobre a atriz e comediante Naomi Watanabe, popular no Japão.

Com mais uma mudança, coube ao italiano Marco Balich assumir a direção da cerimônia. Ele é o produtor executivo em parceria com a empresa de publicidade japonesa Dentsu. Balich tem larga experiência na produção de cerimônias olímpicas, e fez parte do time da Rio-2016. Ele já disse que a pandemia da Covid-19 será lembrada na cerimônia de abertura em Tóquio.

– Com certeza a cerimônia olímpica, que é uma janela de toda a humanidade, terá que refletir de alguma forma ou referenciar de alguma forma o que aconteceu.

A menos de 24 horas da realização da cerimônia oficial de abertura dos Jogos, mais um escândalo. Desta vez, foi o diretor da cerimônia, o comediante japonês Kentaro Kobayashi. Ele teve o vínculo encerrado após vir à tona um episódio em que citou o Holocausto em suas tentativas de piada no passado. Pressionado pelo Centro Simon Wiesenthal, organização judaica internacional para a defesa dos direitos humanos, Kobayashi pediu demissão na madrugada desta quinta-feira.

O que podemos esperar da cerimônia de abertura?

Cerimônia de abertura deve contar com mais de 11 mil atletas de 206 nações — Foto: Tóquio 2020/Divulgação

Cerimônia de abertura deve contar com mais de 11 mil atletas de 206 nações — Foto: Tóquio 2020/Divulgação

O Comitê Organizador de Tóquio definiu uma “Política Básica” para o conceito geral dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio que cita “paz, coexistência, reconstrução, futuro, Japão e Tóquio, atletas, envolvimento e entusiasmo” como os temas centrais a serem destacados durante as cerimônias de abertura e encerramento.

Conforme determina a Carta Olímpica, a cerimônia de abertura combinará procedimentos cerimoniais formais com um programa artístico que mostrará a história e a cultura do Japão.

Entre os aspectos cerimoniais estão uma apresentação do hino nacional do Japão, o desfile dos atletas – que deverá ser diferente por conta do isolamento -, o lançamento simbólico dos pombos da paz, a abertura dos Jogos pelo imperador Naruhito, além do levantamento da bandeira olímpica e a execução do hino olímpico, assim como a prestação do juramento olímpico por um atleta, o juramento olímpico por um oficial, o juramento olímpico por um técnico e o revezamento da chama olímpica e o acendimento da pira olímpica.

Quem participará da cerimônia de abertura?

Bruninho vai ser porta-bandeira do Brasil em Tóquio junto com Ketleyn Quadros — Foto: Miriam Jeske/COB

Bruninho vai ser porta-bandeira do Brasil em Tóquio junto com Ketleyn Quadros — Foto: Miriam Jeske/COB

A delegação brasileira terá dois porta-bandeiras na cerimônia, já que o COI decidiu usar casais para promover a igualdade de gênero. Serão dois medalhistas olímpicos. A judoca Ketleyn Quadros, bronze em Pequim-2008, estará ao lado do medalhista de ouro na Rio-2016 Bruninho, jogador do vôlei de quadra – que tem mais duas pratas olímpicas no currículo.

A delegação brasileira tem 302 atletas e, ao contrário de edições anteriores onde costumava ser uma das primeiras a desfilar por ordem do alfabeto inglês, dessa vez será a 151ª a entrar levando em conta o alfabeto japonês. Seguindo a tradição, como o país de origem das Olimpíadas, a Grécia entrará primeiro, e o Japão, como sede, será o último país a desfilar. Ainda há a possibilidade de poucos atletas efetivamente desfilarem, com a maioria sendo mantida sentada para evitar maiores aglomerações.

Mas além dos atletas, a cerimônia de abertura contará com representantes políticos dos países participantes. O presidente Jair Bolsonaro e seu vice Hamilton Mourão não irão à cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio. O representante do governo brasileiro no Japão será o ministro da Cidadania, João Roma.

Qual é a história da cerimônia de abertura das Olimpíadas?

Cerimônia de abertura de Tóquio-1964 foi marcada pela presença do jovem Yoshinori Sakai, nascido no dia em que foi jogada a bomba atômica sobre Hiroshima — Foto: Getty Images

Cerimônia de abertura de Tóquio-1964 foi marcada pela presença do jovem Yoshinori Sakai, nascido no dia em que foi jogada a bomba atômica sobre Hiroshima — Foto: Getty Images

Desde os primeiros jogos modernos, em Atenas, em 1896, a cerimônia de abertura é parte integrante do evento. Ela representa o início oficial dos Jogos Olímpicos e oferece ao país anfitrião a oportunidade de mostrar para o mundo sua identidade nacional.

– O protocolo e o esplendor das cerimônias olímpicas, que vão de mãos dadas com a celebração dos Jogos como todos os conhecem hoje, tornam este evento único e inesquecível – diz a Carta Olímpica.

No entanto, a Carta também observa que a cerimônia de abertura dos Jogos de hoje está a léguas de distância do que aconteceu em Atenas há mais de 120 anos, e que alguns elementos do protocolo da cerimônia só foram estabelecidos aos poucos ao longo do tempo.

Por exemplo, enquanto Pierre de Coubertin, fundador do Comitê Olímpico Internacional, imaginou originalmente as Olimpíadas modernas como uma celebração de conquistas atléticas e artísticas, com o atletismo tendo sido a principal modalidade dos Jogos, a parte do programa artístico da cerimônia de abertura continuou aumentando.

O Japão será o primeiro país asiático a receber duas edições dos Jogos Olímpicos. O evento já aconteceu no país em 1964, quando a cerimônia foi aberta pelo Imperador Hirohito, em evento com a presença de 5.151 atletas de 93 nações. O momento mais icônico foi a entrada no estádio do jovem Yoshinori Sakai, então com 19 anos, nascido em Hiroshima em 6 de agosto de 1945, mesmo dia em que a bomba atômica foi detonada sobre a cidade.

A cidade de Tóquio já tinha conquistado o direito de realizar os Jogos em 1940, mas a invasão da China pelo Japão os transferiu para Helsinque, na Finlândia. Depois, com a eclosão da II Guerra Mundial em 1939, os Jogos de 1940 foram cancelados.

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Fontes: Ge – Globo Esporte.

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