Português afirma que pênalti não marcado no Morumbi desencadeou clima de pressão sobre árbitros e influenciou negativamente

Jorge Simonsen Publicado em 26/11/2025, às 14h13
Abel Ferreira deixou a Arena do Grêmio visivelmente incomodado após a derrota por 3 a 2 nesta última terça (25). Mais do que lamentar os erros do Palmeiras em campo, o técnico voltou a mirar a arbitragem do Campeonato Brasileiro e afirmou que o polêmico clássico contra o São Paulo mudou o comportamento dos árbitros na reta final da competição.
Segundo Abel, desde o pênalti não marcado sobre Tapia no Morumbi, no dia 5 de outubro, a condução das partidas teria se tornado mais insegura. O lance, que manteve o jogo em 2 a 0 para o São Paulo e depois gerou suspensão ao árbitro Ramon Abatti Abel e ao VAR Ilbert Estevam, é visto pelo treinador como divisor de águas.
“Não vivo de hipóteses. Se o pênalti tivesse sido marcado naquele jogo, talvez o placar fosse outro. Mas depois daquele lance muita coisa mudou. O árbitro ficou pendurado, e eu me pergunto: será que os outros não ficaram com medo? Medo de marcar pênalti como o do Maracanã, ou como o lance do Arrascaeta na nossa casa no primeiro turno? Há vários momentos em que o árbitro nem vai ao VAR. Parece que ninguém quer correr o risco de ser punido”, declarou o treinador.
A crítica voltou a ganhar força após o revés em Porto Alegre, quando o Palmeiras, escalado com uma equipe alternativa por causa da final da Libertadores no sábado, viu o Grêmio virar o jogo com dois pênaltis na segunda etapa. Abel evitou colocar a derrota exclusivamente na conta da arbitragem, mas reforçou que percebe um ambiente “contaminado” desde o clássico no Morumbi.
Ao ser questionado sobre ter poupado quase todo o time titular, Abel afirmou que suas escolhas têm relação direta com a decisão continental, não com uma suposta desistência do Brasileirão.
“Depois do jogo contra o São Paulo, todos no clube entendemos o que estava acontecendo. Mas não fomos nós que jogamos a toalha. Não desistimos do pênalti no Maracanã, não desistimos do pênalti contra o Santos, nem do pênalti no Vitória. Seguimos competindo”, disse.
Sobre o desempenho da equipe, Abel destacou o bom primeiro tempo do Palmeiras contra o Grêmio, mas reconheceu que os erros foram decisivos.
“Fizemos uma primeira parte muito forte, controlamos o jogo. É injusto ir para o intervalo sofrendo um gol em um lateral. No segundo tempo, não podemos cometer um pênalti como o que aconteceu. Também não podemos perder um gol como o que Facundo perdeu. Em jogos desse nível, isso custa caro. E sigo tentando entender a expulsão, porque a regra diz que o jogador não pode ser punido duas vezes na mesma jogada, mas foi o que aconteceu”, completou.
Com a derrota, o Palmeiras estacionou nos 70 pontos e viu o Flamengo abrir vantagem ao chegar aos 75 com o empate contra o Atlético-MG. Restando duas rodadas, o Verdão precisa vencer seus dois jogos e torcer para que o rival somar no máximo um ponto para ainda sonhar com o título.
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